Veículos autônomos nas ruas: o que falta?
Um setor em franca expansão e que foi apontado em um estudo da consultoria inglesa Enst & Young como umas das cinco tendências para a mobilidade urbana em 2023 são os veículos autônomos. Dados do estudo estimam que 75% dos veículos vendidos no mundo em 2030 serão autônomos.

Embora em crescente avanço e já evoluído em países da América do Norte, Europa e Ásia, no Brasil ainda existem entraves para uso da tecnologia. “A inserção de tecnologias para veículos autônomos é um desafio enorme porque envolve integração em nível de segurança e assertividade elevada. E isso deve ocorrer de forma concomitante com adequações de infraestrutura”, destaca o professor associado do Departamento de Eletrônica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR-PG) – Campus Ponta Grossa, Max Mauro Dias Santos.
Com vasta experiência na área por ter trabalhado na indústria automotiva, o professor conta como a tecnologia iniciou no Brasil. “As primeiras funções de assistência ao condutor foram aplicadas às máquinas agrícolas em ambiente controlado. Existem estudos crescentes para aplicações em outros segmentos nas universidades”, informa.
Mas para atender outras modalidades de veículos, o Engenheiro Eletricista avalia que são necessárias ações de grupos especializados – academia, indústria, governo e negócios – para que Veículos Autônomos (VAs) possam ser vistos circulando em vias públicas brasileiras em um horizonte de médio prazo.
Segundo ele, são várias as vantagens: “veículos com sistemas de assistência ao condutor e condução automatizada – Veículo Autônomo -, têm o potencial de trazer benefícios como redução do número e da gravidade de acidentes, uma melhor utilização das vias, maior conforto aos usuários, perfil de condução otimizada e customizada, entre outros”, enumera.
Para se ter uma ideia, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que mais de 1,3 milhão de pessoas morrem todos os anos em acidentes de trânsito no mundo.
No Brasil, no ano passado foram registrados 64.447 acidentes somente nas rodovias federais. Destes, 52.948 tiveram feridos ou vítimas fatais. O custo total estimado destes acidentes foi de R$ 12,92 bilhões, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT).
CLASSIFICAÇÃO E TECNOLOGIA

Os VAs são classificados de acordo com uma escala criada pela Sociedade dos Engenheiros Automotivos (SAE), em seis níveis distintos, do SAE 0 ao SAE 5, conforme a independência do sistema (ver box).
“De forma técnica, o veículo automatizado (SAE 3 e 4) e o autônomo (SAE 5) envolve tecnologias inovadoras como visão computacional, supercomputadores, sensores inteligentes, inteligência artificial, big data, data science, entre outras, de forma que a infraestrutura elétrica e eletrônica demanda um arcabouço normativo, regulamentar e jurídico, abrindo uma avenida de oportunidades nessa nova era automotiva”, explica o professor Max Santos.
Segundo ele, as primeiras aplicações de tecnologias de veículos autônomos se encontram em ambiente controlado como para robotaxi, portuário e agricultura. “Com aumento da maturidade, aplica-se a outras demandas com maior complexidade, de forma que traga um benefício e bem-estar de desenvolvimento social, tecnológico e econômico”, conta.
No Brasil, os carros estão no SAE 2, mas a Mercedes-Benz, nos Estados Unidos, tem SAE 3, sendo a primeira empresa automotiva do mundo o obter o mérito.
CONHEÇA OS DIFERENTES NÍVEIS DE AUTOMAÇÃO
SAE 0 – Sem automação: 100% com controle manual;
SAE 1 – Assistência ao motorista: grau mais simples. O condutor pode contar com recursos como o Controle de Cruzeiro Adaptativo (ACC), ou piloto automático, e usá-lo como auxílio na direção;
SAE 2 – Semi-autônomo: o veículo controla o volante e os pedais sozinho e o carro pode rodar sem interferência humana por alguns quilômetros, mas o motorista precisa ficar atento para agir em situações de risco. Encontrado em carros da Tesla (Autopilot), bem como no Volvo XC60;
SAE 3 – Automação condicional: o carro consegue fazer detecção por sensores e tomar decisões sozinho. Ainda assim, o condutor precisa estar pronto para intervir em determinadas situações;
SAE 4 – Alta automação de direção: o veículo pode operar sozinho e tem capacidade para tomar decisões graças à inteligência artificial (IA), mas também pode solicitar a ajuda do motorista;
SAE 5 – Automação plena: pode atuar sem interferência humana em ruas, avenidas e rodovias, além de tomar decisões e corrigir possíveis falhas. Nesta etapa, o veículo não precisa de volante e pedais, e o motorista pode fazer outras atividades dentro do carro.
(Fonte: Terra – bit.ly/45VNQ1v)
PRINCIPAIS DESAFIOS:
JURÍDICOS:
- Autorização para registro e licenciamento de veículos autônomos;
- Procedimentos administrativos para testes em vias públicas;
- Seguro de responsabilidade civil;
- Análise do quadro jurídico existente, para proposição das alterações necessárias.
TECNOLÓGICOS:
- Adequação de infraestrutura e sinalização;
- Regulação da IA;
- Criação de mapas de alta definição (HD Maps);
- A condução requer diversas interações complexas. Ex.: Intersecções e cruzamentos;
- Rodovias e sinalizações devem ser mantidas em bom estado de conservação;
- Sensores integrados e robustos que operem em diferentes condições de tempo;
- Elaboração de regulamentos para garantir a segurança;
- Estratégias de cyber segurança para evitar e mitigar ataques cibernéticos.
Vale destacar que no Paraná, a Dra. Andrea Martinesco é especialista nas questões jurídicas concernentes aos veículos autônomos e sua inserção no sistema de trânsito brasileiro.
UTFPR TRABALHA DESDE 2005 COM PESQUISA DE SISTEMAS EMBARCADOS

O Grupo de Sistemas Automotivos (GSA), iniciou suas atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação na área de sistemas embarcados automotivos em 2005, sob a liderança do professor Associado em Engenharia Elétrica e Ciência da Computação no Departamento de Eletrônica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR-PG) – Campus Ponta Grossa, Max Mauro Dias Santos.
“O objetivo inicial foi proporcionar e gerar projetos em colaboração com a indústria automotiva oferecendo aos discentes de graduação e pós-graduação uma oportunidade de aplicar diretamente os conhecimentos aprendidos nas universidades, em problemas reais do setor automotivo”, informa o professor.
A motivação em adotar esse assunto como estratégico para o GSA deve-se, principalmente, ao know-how que o professor tem na área, por ter atuado em grandes empresas como IBM, Volvo, GM e outros, pela diversidade de um ecossistema de ensino de qualidade e pelo destaque em nível nacional que o Paraná possui por ser o segundo polo automotivo nacional, com diversas empresas do setor automotivo.
Histórico
>> 2016
O GSA liderou o INOVARAUTO, em parceria com a FCA – FIAT Chrysler Automobile, atual Stellantis. O projeto envolveu docentes, técnicos e discentes de graduação e pós-graduação. Foi desenvolvida a virtualização de cerca de 22 mil quilômetros de rodovias brasileiras, com a criação de um dataset de grande valia para a montadora e fornecedor aplicado ao processo de simulação e testes de funções de assistência ao condutor (ADAS).
>> 2018 a 2021
O GSA foi se estruturando e capacitando por meio de colaborações em projetos com outras empresas como: OpenCadd, Chiptronic, ANACOM, e outras, realizando projetos de relevância com impacto e qualidade em nível de sistemas embarcados. Dessa forma, foi direcionado um olhar estratégico ao desenvolvimento de pesquisa e desenvolvimento para veículos automatizados e autônomos.
>> 2021
Em colaboração com USP, UFPE e UnB Gama, bem como empresas do setor automotivo como Renault, DAF, Mercedes, BMW, Stellantis, Vector, AVL e Bosch, foi contemplado no projeto SegurAuto, com o projeto Rota2030. O projeto visa desenvolver sistemas e métodos para sistemas automotivos de assistência ao condutor e condução autônoma. Estão sendo desenvolvidas pesquisas em colaboração para se ter, em um futuro próximo, um veículo autônomo desenvolvido exclusivamente com tecnologia e know-how in house.
>> 2023
Atualmente, o GSA está comprometido com a missão de desenvolver sistemas e métodos para sistemas embarcados automotivos, assistência ao condutor e condução autônoma, fortalecendo a interação entre academia, indústria, governo e business model.
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3 comentários em “Veículos autônomos nas ruas: o que falta?”
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Parabéns Max, simples e objetivas definições, creio que os desafios mencionsados é que emperrarão a liberação dos VA,s – no mundo – e não a tecnologia a qual está cada dia mais adiantada 😉
sds,
Tema muito relevante para o mundo e para o Brasil. Esta Visão integrada é fundamental . Acredito que exista um grupo de colaboração global trabalhando na malha de software em que vários colaboradores de vários países, inclusive Brasileiros atuam tbm. Quão relevante é participar deste grupo global para esta compilação local ?
Vale mencionar que já existem veículos em nível SAE4 (completa autonomia sem ajuda de motorista, porém dentro de áreas geográficas conhecidas ou outras condições limitadas). Podemos listar, por exemplo, os robotaxis da Waymo nos EUA ou os mini-onibus da EasyMile na França.