CERTIFICAÇÕES MOVIMENTAM O MERCADO DA ENGENHARIA E REDEFINEM PADRÕES DE COMPETITIVIDADE

DA SUSTENTABILIDADE À GESTÃO DIGITAL DA INFORMAÇÃO, SELOS E NORMAS INTERNACIONAIS DEIXAM DE SER DIFERENCIAIS E PASSAM A ESTRUTURAR A FORMA COMO EMPRESAS PROJETAM, CONSTROEM E DISPUTAM CONTRATOS NO BRASIL E NO MUNDO.
O avanço das certificações técnicas e ambientais está redesenhando o ambiente de negócios da engenharia.
Normas internacionais que antes eram vistas como diferenciais passaram a ocupar um papel estratégico na governança, na competitividade e na geração de novos contratos no setor. Um exemplo recente desse movimento é a conquista da certificação ISO 19650
“Ela consolida um trabalho de transformação digital iniciado há mais de uma década. Ao demonstrarmos conformidade
com um padrão internacional auditado, mostramos ao mercado que temos governança digital estruturada e capacidade
comprovada de atuar em ambientes colaborativos em projetos complexos” – Diretor de Inovação e Tecnologia da Intertechne, Fernando Augusto Corrêa de Azevedo
pela empresa de engenharia Intertechne, com sede em Curitiba, divulgada em janeiro deste ano. A companhia tornou-se a primeira da América do Sul a obter o reconhecimento internacional voltado à gestão da informação em projetos desenvolvidos em BIM Building Information Modeling), padrão adotado em mercados de infraestrutura mais maduros. A certificação foi concedida após auditoria conduzida pela LRQA, organismo certificador internacional sediado no Reino Unido, que avaliou a conformidade dos
processos organizacionais da empresa com a norma ISO 19650-2:2018. Mais do que um reconhecimento técnico, especialistas apontam que esse tipo de certificação reflete uma transformação estrutural no setor de engenharia, cada vez mais orientado por governança de dados, rastreabilidade de informações e padronização internacional.

DA VALIDAÇÃO TÉCNICA À
GERAÇÃO DE NEGÓCIOS
Para o diretor de Inovação e Tecnologia da Intertechne, Fernando Augusto Corrêa de Azevedo, a certificação representa ao
mesmo tempo reconhecimento técnico e posicionamento competitivo. Segundo ele, a ISO 19650 valida a capacidade da empresa de operar com um sistema estruturado de gestão da informação baseado em BIM, algo que vem sendo desenvolvido internamente desde 2014. Na prática, esse tipo de certificação também amplia as oportunidades de negócios. Em grandes concessões, contratos
internacionais e projetos de infraestrutura, a maturidade na gestão da informação passou a ser um fator determinante. “A certificação reduz barreiras de entrada em projetos de grande porte. Ela transmite segurança técnica e maturidade organizacional, o que fortalece nossa posição em negociações estratégicas e amplia nossa elegibilidade em processos seletivos”, explica Azevedo.
UM MERCADO CADA VEZ MAIS ORIENTADO POR
PADRÕES GLOBAIS

A expansão das certificações acompanha um movimento global de profissionalização e padronização da engenharia. Com
cadeias produtivas cada vez mais internacionalizadas e projetos mais complexos, normas técnicas passaram a funcionar
como uma linguagem comum entre empresas, investidores e contratantes.
Para o CEO da Petinelli, Guido Petinelli, esse processo representa uma mudança importante na forma como o mercado
avalia projetos e organizações.
“Durante muitos anos, as certificações eram vistas quase como um selo de marketing. Hoje elas funcionam como uma linguagem comum de qualidade, desempenho e governança. Investidores e operadores conseguem identificar rapidamente o nível de maturidade de uma empresa ou empreendimento”, explica.
No setor da construção e da engenharia, ele destaca três grandes grupos de certificações que impactam diretamente o posicionamento das empresas. O primeiro envolve certificações de desempenho de edificações, como LEED, WELL e LEED Zero, voltadas à eficiência energética, qualidade ambiental e impacto urbano. O segundo abrange sistemas de gestão, como ISO 9001, ISO 14001 e ISO 50001, que estruturam processos e governança nas organizações. Já o terceiro está ligado à transformação digital da engenharia, com normas como a ISO 19650, voltadas à organização e integração de informações em projetos desenvolvidos em BIM.
“Empresas que dominam essas três dimensões: desempenho, gestão e digitalização tendem a ter um posicionamento
muito mais competitivo no cenário internacional”, afirma.
“Ela consolida um trabalho de transformação digital iniciado há mais de uma década. Ao demonstrarmos conformidade
com um padrão internacional auditado, mostramos ao mercado que temos governança digital estruturada e capacidade
comprovada de atuar em ambientes colaborativos em projetos complexos” – Diretor de Inovação e Tecnologia da Intertechne,
Fernando Augusto Corrêa de Azevedo
SUSTENTABILIDADE TAMBÉM REDEFINE O MERCADO
Outro eixo importante desse movimento está relacionado às certificações ambientais e aos critérios ESG (ambientais,
sociais e de governança), cada vez mais presentes na avaliação de investimentos e empreendimentos. Segundo o engenheiro ambiental Luiz Guilherme Grein Vieira, as certificações deixaram de ser um elemento de marketing para se tornarem ferramentas de mitigação de riscos e governança.
“No cenário atual, investidores e fundos imobiliários utilizam o desempenho ESG como critério de avaliação. Certificações
validadas por instituições independentes oferecem a segurança jurídica e técnica necessária em um mercado que envolve grandes volumes de investimento”, explica.
Ele destaca que o Brasil ocupa hoje posição relevante nesse cenário global. Dados do Green Building Council indicam que o país está entre os cinco com maior número de projetos certificados ou em processo de certificação, com mais de três mil empreendimentos registrados até 2025.
O Paraná também se destaca, com mais de 300 projetos certificados, ficando atrás apenas de estados como São Paulo e Rio
de Janeiro. Para Vieira, esse avanço contribuiu para mudar a própria cultura do setor.
“As certificações provocaram uma mudança de paradigma. Saímos de uma engenharia baseada em improviso para uma
engenharia baseada em desempenho, com dados técnicos e comprovação de práticas sustentáveis”, afirma.
BRASIL OCUPA HOJE POSIÇÃO RELEVANTE NESSE CENÁRIO GLOBAL. DADOS DO GREEN BUILDING COUNCIL INDICAM QUE O PAÍS ESTÁ ENTRE OS CINCO COM MAIOR NÚMERO DE PROJETOS CERTIFICADOS

GOVERNANÇA, GESTÃO DE RISCOS E EFICIÊNCIA OPERACIONAL
Além da sustentabilidade e da digitalização, as certificações também desempenham um papel central na organização
interna das empresas, como as normas da família ISO, que estruturam processos, definem responsabilidades e introduzem
sistemas de gestão baseados em indicadores e análise de riscos.
Para a engenheira ambiental e de segurança do trabalho Dayanna Silva, esse modelo fortalece a governança e aumenta a previsibilidade das operações.
“Projetos de engenharia raramente falham por erro técnico isolado. Na maioria das vezes, os problemas estão relacionados a
falhas de processo, comunicação ou gestão de mudança. As certificações ajudam justamente a estruturar esses processos e
reduzir esses riscos”, explica.
Segundo ela, essa previsibilidade gera um ativo estratégico no mercado: confiança. “Quando uma empresa certificada participa
de uma licitação ou de um contrato complexo, ela demonstra que possui controle estruturado de processos, gestão formal de
riscos e rastreabilidade técnica. Isso reduz a percepção de risco para o cliente”, afirma.

FISCALIZAÇÃO NO SETOR DE SANEAMENTO
O setor de saneamento também integra as metas nacionais de fiscalização.
Em 2025, o Crea-PR iniciou ações voltadas à verificação de serviços técnicos em unidades municipais de saneamento.As fiscalizações começaram com os Serviços Autônomos Municipais de Água e Esgoto (Samaes) e avançam para empresas responsáveis por sistemas regionais de abastecimento.
Neste ano, o Conselho também iniciou fiscalizações na Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), responsável pelo
atendimento em dezenas de municípios do estado.
Essas ações buscam garantir que atividades técnicas relacionadas ao tratamento de água e esgoto estejam sendo executadas por profissionais habilitados e com responsabilidade técnica.
FISCALIZAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE PROTEÇÃO SOCIAL
A fiscalização do exercício profissional é a atividade central do Sistema Confea/Crea e tem como missão proteger a sociedade.
Ao verificar a presença de profissionais habilitados em atividades técnicas, o Conselho contribui para prevenir acidentes, garantir a qualidade das obras e serviços e promover o desenvolvimento sustentável.
No caso das áreas de criação animal, essa atuação ganha ainda mais relevância, já que envolve segurança alimentar, bem-estar animal e preservação ambiental. A presença de profissionais qualificados na engenharia e na agronomia não apenas assegura o cumprimento das normas técnicas, mas também contribui para a modernização e a competitividade do agronegócio.
Com planejamento adequado, assistência técnica e fiscalização efetiva, atividades como a avicultura e a piscicultura
podem alcançar altos níveis de produtividade sem abrir mão da segurança, da sustentabilidade e da responsabilidade
profissional.
CREA-PR AMPLIA CAPACITAÇÃO EM ENGENHARIA PÚBLICA COM CURSO BIM CAPACITA
O Crea-PR disponibiliza, no Conecta CreaPR (ProCrea), o curso on-line BIM Capacita, com 16 horas de conteúdo técnico sobre
Modelagem da Informação da Construção.
Voltado especialmente ao setor público, o curso aborda planejamento, políticas públicas, legislação, financiamento e aplicação prática do BIM em obras.
Organizado em quatro módulos, reúne conteúdos sobre contexto da engenharia pública, estratégia BIM Paraná, legislação,
casos reais e uso de softwares.
A capacitação é gratuita para profissionais registrados e reforça a qualificação técnica e a modernização da engenharia pública no
Paraná.
Informações sobre os módulos do curso
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