Projeto ver a Cidade
Convênio entre instituições possibilita acesso de estudantes de Universidades Estaduais ao trabalho prático de inspeção de obras públicas

O Projeto Ver a Cidade permite que estudantes de Engenharia Civil de quatro Universidades Estaduais participem de edital para aprender, na prática, sobre obras públicas, o papel do Tribunal de Contas (TCE) e também do Crea-PR.
Os 60 selecionados irão visitar, de forma presencial, dez obras públicas selecionadas. São 12 alunos de cada campus das Universidades Estaduais de Londrina (UEL); de Maringá (UEM – campi Maringá e Umuarama); de Ponta Grossa (UEPG); e do Oeste do Paraná (Unioeste – campus Cascavel). Além disso, farão monitoramento on-line de aproximadamente 1,1 mil obras que as próprias prefeituras informaram ao TCE-PR que estão paralisadas.
“Estes estudantes serão supervisionados por dois professores que irão orientar a atividade. É uma ideia que já vem sendo pensada e esquematizada desde o ano passado e que iniciou com as palestras aos representantes das universidades nos meses de março e abril. Na sequência foram lançados os editais e ocorreu o processo de seleção dos participantes”, explica o Engenheiro Civil Luiz Henrique de Barbosa Jorge, auditor de Controle Externo do TCE-PR.
“Entendo que este convênio é uma importante estratégia de envolvimento dos nossos estudantes e dos professores das Engenharias das nossas universidades com o cotidiano de acompanhamento da execução de obras públicas. Um olhar para as obras que atualmente estão paralisadas, ou seja, com seu processo construtivo interrompido. Isto é um importante instrumento de formação acadêmica voltado ao controle social”, avalia o secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), Aldo Nelson Bona.
A SETI desempenha o papel de articuladora entre TCE, Crea-PR e as universidades. Ao longo de cinco meses, o Governo do Estado vai investir um total de R$ 343,7 mil, distribuídos em 70 bolsas-auxílio para 60 estudantes de graduação e 10 professores orientadores.
O Engenheiro Civil e coordenador de Obras Públicas (COP) do TCE, Paulo Daschevi, descreve que todos ganham com o convênio. “O projeto visa ampliar e otimizar a fiscalização e a divulgação das informações das obras públicas paralisadas no Paraná, enquanto proporciona ao estudante de Engenharia Civil das Universidades a experiência de auxiliar na fiscalização de obras públicas paralisadas na sua cidade e região.” Com isso, segundo ele, há um fomento à cidadania com os universitários tendo mais conhecimento sobre obras públicas.
“Para se ter ideia do volume, apenas no ano passado foram cadastradas 3,7 mil novas obras no sistema” – Luiz Jorge, do TCE.

Sobre o trabalho
Atualmente constam no sistema do TCE aproximadamente 1.083 obras paralisadas em 249 municípios paranaenses, mas o sistema é abastecido pelos próprios municípios e não costuma ser atualizado. Segundo estimativas do TCE, 30% destas obras relatadas estão realmente paradas.
“Para se ter ideia do volume, apenas no ano passado foram cadastradas 3,7 mil novas obras no sistema”, conta Luiz Jorge, do TCE. E o tribunal tem um número reduzido de profissionais para fazer a fiscalização de cada empreendimento.
O convênio visa auxiliar nesta lacuna. Para isso, foram realizadas palestras nos meses de março e abril com o tema “Obras Públicas: Responsabilidade e Ética Profissional”. A ação teve o intuito de despertar o interesse e comunicar sobre a seleção de estudantes para auxiliar nos trabalhos de fiscalização. Tanto os alunos quanto os orientadores passarão ainda por uma capacitação temática para poderem atuar no controle social e verificar as informações pertinentes das obras.
A atividade a ser realizada pelos estudantes é a verificação e análise remota dos dados de obras cadastradas como paralisadas com preenchimento de planilha enviada pelo TCE-PR.
Parte das obras paralisadas também será inspecionada in loco pelo Departamento de Fiscalização do Crea-PR. Por fim, a equipe de auditores da COP/TCE-PR vai elaborar um relatório, a partir dos dados coletados, que servirá como subsídio para futuras fiscalizações da Corte de Contas. “A ideia é termos uma visão mais clara e precisa de quais obras realmente estão paralisadas e, então, darmos o andamento com os devidos trâmites legais”, afirma o auditor do TCE.
E ele dá uma ideia do impacto disso. “Não podemos esquecer que estamos falando de obras públicas, ou seja, postos de saúde, escolas, equipamentos que beneficiam a população e feitas com dinheiro público. Nosso interesse é que sejam concluídas e entregues”, conta Luiz Jorge.

Papel do Crea-PR
O Crea-PR e o TCE já têm uma relação de parceria de longo prazo. As instituições trabalham de forma colaborativa nas rotinas de fiscalização e, agora, também estão juntas no projeto Ver a Cidade.
“Envolver os discentes com a supervisão de docentes destas universidades em tarefas que deem suporte ao trabalho do TCE, certamente será positivo no processo de formação dos futuros profissionais. O maior beneficiado desta ação conjunta certamente será a sociedade, pois quando ocorre a retomada e conclusão de uma obra paralisada, atinge-se o objetivo social da construção, trazendo melhorias reais para a vida das pessoas”, avalia o Engenheiro Eletricista Edgar Tsuzuki, gerente Regional de Londrina do Crea-PR.
Todos os estudantes participantes integrarão o Programa CreaJr-PR e poderão fazer o Registro de Atividades Técnico-Acadêmicas Extracurricular (RTA), ou seja, anotar as atividades desenvolvidas ao longo de sua formação e que enriquecem o currículo. O registro do RTA é realizado na área restrita do membro do CreaJr-PR e depois passa por uma validação e após isso pode ser impressa e anexada ao currículo do aluno.
“É uma grande oportunidade para os estudantes, pois além do conhecimento prático, a ação poderá ajudá-los a desenvolver o senso crítico, já que é um assunto de interesse social. Acho que esse é o nosso principal objetivo: formar profissionais conscientes, responsáveis e éticos para nossa sociedade”, avalia a Engenheira Agrônoma Ana Paula Afinovicz, gerente da Regional Ponta Grossa do Crea-PR.
Para o gerente da Regional Curitiba do Crea-PR, Engenheiro Agrônomo Eduardo Ramires, todos os envolvidos ganham. “Mas especialmente os acadêmicos, que recebem a oportunidade de estar em contato direto com uma temática sensível e que muitas vezes é mal compreendida, por isso necessita de todo o conhecimento e responsabilidade profissional.”
Ramires acredita que buscar uma abordagem da legislação profissional de forma didática para entendimento dos estudantes é um dos desafios do projeto. “Temos conhecimento de que os temas relacionados aos normativos são complexos e necessitam ser explorados por meio uma comunicação objetiva e com o uso de alguns exemplos práticos, para despertar o interesse e destacar os principais pontos de importância para os alunos que muito em breve serão profissionais registrados e atuantes”, conclui.
“É uma grande oportunidade para os estudantes, pois além do conhecimento prático, a ação poderá ajuda-los a desenvolver o senso crítico, pois é um assunto de interesse social. Acho que esse é o nosso principal objetivo: entregar profissionais conscientes, responsáveis e éticos para nossa sociedade” – Eng. Agrônoma Ana Paula Afinovicz

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