FISCALIZAÇÃO DO CREA-PR REFORÇA PRESENÇA PROFISSIONAL NA PRODUÇÃO ANIMAL
AÇÕES EM AVIÁRIOS, PISCICULTURA E SETORES ESTRATÉGICOS DO AGRONEGÓCIO BUSCAM GARANTIR QUE ATIVIDADES TÉCNICAS SEJAM CONDUZIDAS POR PROFISSIONAIS HABILITADOS, FORTALECENDO A SEGURANÇA DAS ESTRUTURAS E A SUSTENTABILIDADE DA PRODUÇÃO.
A produção de alimentos de origem animal tem se tornado cada vez mais tecnológica e complexa. Atividades como a criação de
aves e a piscicultura dependem de uma série de estruturas, sistemas e processos que vão muito além do manejo dos animais. Projetos de engenharia, sistemas elétricos e hidráulicos, terraplenagem, automação, gestão ambiental e biosseguridade fazem parte do cotidiano desses empreendimentos.
Nesse contexto, a atuação fiscalizatória do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR) tem como
foco garantir que serviços técnicos relacionados a essas atividades sejam realizados por profissionais habilitados e com responsabilidade técnica registrada.
A fiscalização do Conselho é voltada ao exercício profissional. Ou seja, verifica se atividades que envolvem engenharia, agronomia e geociências contam com profissionais registrados e com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), documento que formaliza quem é o responsável pelo serviço.
Nos últimos anos, o Crea-PR tem ampliado ações de fiscalização em áreas de criação animal, como aviários e empreendimentos de
piscicultura, além de participar de metas nacionais estabelecidas pelo Sistema Confea/Crea. O objetivo é fortalecer a regularidade
do exercício profissional e estimular a presença da engenharia e da agronomia em atividades que possuem forte impacto econômico, ambiental e social.
Mais do que identificar eventuais irregularidades documentais, essas ações também possuem caráter orientativo, contribuindo
para que produtores e empresas compreendam a importância da assistência profissional qualificada em todas as etapas do empreendimento.


Crédito: Jorge Henrique de Oliveira Chueire
INFRAESTRUTURA E PLANEJAMENTO NA PRODUÇÃO ANIMAL
A criação de animais em escala comercial exige planejamento técnico detalhado e estruturas adequadas para garantir produtividade, biosseguridade e bem-estar animal. Aviários modernos, por exemplo, funcionam como ambientes altamente controlados, com sistemas automatizados de climatização, alimentação e iluminação.
Da mesma forma, empreendimentos aquícolas dependem de projetos de engenharia para construção de viveiros, controle da
qualidade da água, sistemas hidráulicos e gestão ambiental. Sem a presença de profissionais habilitados, esses sistemas podem apresentar falhas estruturais ou operacionais que resultam em prejuízos econômicos, riscos sanitários e impactos ambientais.
Por isso, a fiscalização do Crea-PR verifica se os serviços técnicos envolvidos nessas atividades, como projetos, instalações elétricas, estruturas, sistemas de ventilação e manejo ambiental, possuem responsável técnico e estão devidamente registrados por meio da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART).
Além de garantir a legalidade da atividade profissional, essa atuação também contribui para reduzir riscos de acidentes, falhas estruturais e problemas sanitários, que podem comprometer toda a cadeia produtiva.
ENGENHARIA APLICADA À AVICULTURA MODERNA
Entre as frentes recentes de atuação do CreaPR estão as fiscalizações em aviários, iniciadas no final de 2025 e com continuidade nas ações atuais do Conselho.
A iniciativa busca verificar a presença de profissionais habilitados em diferentes etapas da atividade, desde o planejamento da instalação até a operação das estruturas. Segundo o engenheiro agrônomo e conselheiro do Crea-PR, Jorge Henrique de Oliveira Chueire, a avicultura é uma atividade que exige atuação multidisciplinar “A atividade da avicultura comercial, bem como outras atividades produtivas, requer atuação multidisciplinar envolvendo profissionais técnicos especializados em várias etapas,
desde o estudo prévio para implantação dos aviários até o acompanhamento técnico da atividade já implantada”, explica.
Esse acompanhamento envolve diversas áreas da engenharia e da agronomia, incluindo estudos de localização, projetos estruturais,
instalações elétricas e sistemas de automação. Entre as etapas que exigem responsabilidade técnica estão:
- Estudo prévio para definição do local
do aviário; - Projetos planialtimétricos para terraplanagem;
- Perfuração de poços artesianos;
- Licenciamento ambiental;
- Projeto e execução das obras civis;
- Instalações elétricas e sistemas de
energia; - Sistemas de automação para ambiência e alimentação.
A presença de um responsável técnico garante que essas estruturas sejam projetadas de acordo com normas técnicas e dimensionadas corretamente para a atividade.
ESTRUTURAS ADEQUADAS E AMBIENTE PRODUTIVO
A fiscalização em aviários também verifica aspectos estruturais e operacionais que podem representar riscos para a segurança das
instalações e para o desempenho produtivo das aves.
Entre os pontos observados estão sistemas elétricos, prevenção de incêndios, geradores de energia, estruturas pré-moldadas e registros de responsabilidade técnica das obras.
“Os investimentos atuais nessa atividade são muito altos e envolvem equipamentos com tecnologia de ponta. Muitas vezes, o
produtor desconhece a necessidade de um responsável técnico que possa orientar sobre o dimensionamento adequado desses
sistemas”, afirma Chueire.
Segundo ele, a presença de profissionais especializados contribui para garantir o bom funcionamento das estruturas e o ambiente
adequado para as aves.
“Um responsável técnico pode orientar para que os equipamentos estejam dimensionados corretamente para atender às condições de ambiência necessárias ao bom desempenho zootécnico das aves, além de garantir segurança nas estruturas dos barracões e demais instalações”, destaca.
Entre os fatores críticos na criação de aves estão controle de temperatura, ventilação, iluminação e densidade de alojamento, que
influenciam diretamente na conversão alimentar, crescimento e saúde do plantel. Ambientes mal projetados podem gerar estresse térmico, aumento da mortalidade e perdas produtivas.

Crédito: Jorge Henrique de Oliveira Chueire
REGULARIZAÇÃO E ORIENTAÇÃO TÉCNICA AOS PRODUTORES
Durante as fiscalizações, o objetivo do Conselho não é apenas identificar irregularidades, mas também orientar os produtores
sobre a importância da assistência técnica.
Segundo o conselheiro Jorge Chueire, muitas situações encontradas nas propriedades estão relacionadas à ausência de acompanhamento profissional nas diferentes etapas do empreendimento.
“As fiscalizações em aviários podem atuar verificando se em todas as etapas da atividade existe a presença de profissionais
habilitados”, explica.
Essa orientação é especialmente relevante em um setor que tem passado por rápidas transformações tecnológicas, com aumento
da automação e da complexidade das estruturas produtivas.Atualmente, grande parte da avicultura comercial no Brasil funciona por meio de sistemas de integração com frigoríficos ou cooperativas. Nesses modelos, os produtores são responsáveis pela estrutura e pela mão de obra, enquanto as empresas integradoras fornecem insumos e assistência técnica.
Mesmo nesse contexto, a presença de profissionais da engenharia continua sendo essencial para o planejamento, construção e
modernização das instalações.
“Tanto pequenos quanto grandes produtores precisam investir em tecnologia e estruturas adequadas para alcançar bons resultados produtivos”, afirma Chueire.
ENGENHARIA E PLANEJAMENTO NA PISCICULTURA
Outra frente importante de fiscalização envolve empreendimentos de piscicultura, um
dos setores que mais cresce na produção de
alimentos no mundo.
A piscicultura moderna depende de uma série
de serviços de engenharia para garantir viabilidade técnica, eficiência produtiva e sustentabilidade ambiental.

Projetos de viveiros escavados, sistemas hidráulicos, bombas, canais de abastecimento, drenagem e controle da qualidade da água
fazem parte da infraestrutura necessária para o funcionamento desses empreendimentos.
A fiscalização do Crea-PR verifica se essas atividades contam com profissionais habilitados responsáveis pelos projetos e pela execução das obras.
A presença de um responsável técnico também é essencial para garantir o cumprimento das normas ambientais e sanitárias que regulam a atividade.
Entre as principais responsabilidades técnicas na piscicultura estão:
- Planejamento e projeto de viveiros e
tanques; - Dimensionamento de sistemas hidráulicos e de aeração;
- Monitoramento da qualidade da água;
- Manejo sanitário dos peixes;
- Orientação sobre alimentação e densidade de cultivo;
- Adequação ambiental do empreendimento.
Além de garantir a produtividade, essas medidas ajudam a evitar problemas como poluição de corpos hídricos, disseminação de doenças e impactos ambientais.
QUALIDADE DA ÁGUA E SAÚDE DOS PEIXES
Na piscicultura, a qualidade da água é um dos fatores mais críticos para o sucesso da produção. Parâmetros físicos e químicos como oxigênio dissolvido, temperatura, pH e concentração de nutrientes precisam ser monitorados constantemente.
A ausência de acompanhamento técnico pode levar a problemas como eutrofização: processo causado pelo excesso de nutrientes na água, geralmente associado ao acúmulo de ração e resíduos orgânicos.Esse fenômeno pode provocar mortandade de peixes, desequilíbrio ecológico e prejuízos econômicos significativos.
Além disso, o acompanhamento profissional contribui para prevenir doenças e melhorar a qualidade do pescado destinado ao consumo. Com planejamento adequado e assistência técnica especializada, a piscicultura pode se tornar uma atividade altamente produtiva e ambientalmente sustentável.
Fiscalização piscicultura no Rio Paranapanema
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