A onda digital

A revolução está apenas começando. O “boom” tecnológico com o crescimento espantoso da Internet está criando uma nova linguagem na relação entre pessoas e de empresa para empresa. A www vai surfando nas ondas da economia mundial. As análises de especialistas em tecnologia indicam que as vendas on-line serão a grande força da indústria de varejo e de produtos ao consumidor no futuro próximo. E vai ser também um canal privilegiado para projetos de ensino à distância, telemedicina, bibliotecas digitais e conferências.
É bom lembrar que, nos últimos cinco anos, a Internet conquistou mais de 50 milhões de pessoas em todo o planeta. No Brasil país responsável por cerca de 70% dos usuários da rede na América Latina – calcula-se que o número de internautas duplique até o fim deste ano, passando dos atuais 4 milhões para 9 milhões, estimativa da Associação Brasileira dos Provedores de Internet. E, vale a premissa: por trás de cada computador, há um ou mais consumidores potenciais. O futuro será o uso em massa da Web, que fará parte do dia-a-dia de todos nós.
Os números apontam a febre crescente do novo jeito de negociar e apresentar ideias. O Boston Consulting Group (empresa americana na área de consultoria e pesquisa) estima em US$ 215 milhões os negócios em comercio eletrônico na América Latina, neste ano. O Brasil deve abocanhar uma fatia considerável na faixa de US$ 170 milhões em vendas on-line. Para se ter uma ideia, os EUA detêm 70% das máquinas conectadas à rede, mais de metade dos 165 milhões de usuários do globo. E esperam negociar este ano cerca de US$ 308 bilhões.
O chamado varejista multicanal já responde por 62% dos negócios na rede e chegará em 85% em cinco anos. Vende quem faz um bom casamento entre vendas físicas e virtuais. As vendas virtuais de empresas para consumidor (business-to-consumer) impressionam. Das cinquenta empresas privadas brasileiras que mais investem em tecnologias, 88% já utilizaram a Internet para transações comerciais, segundo pesquisa realizada pela revista lnfo Exame. No business-to-business (negócios entre empresas), já é rotina entre as empresas: 64% delas realizam transações utilizando-se da Web.
O setor de telecomunicações promete ainda mais. Veja os números: as vendas mundiais de aparelhos de comunicação móveis alcançaram 283 milhões de unidades em 1999, 65% a mais que as vendas realizadas em 1998, de acordo com o Dataquest, unidade brasileira do GartnerGroup que realiza pesquisa sobre tecnologia. Os analistas do Dataquest preveem que este mercado se prepara para explodir no final de 2000, com estimativas de vendas ultrapassando os 410 milhões de unidades. E bom lembrar que há uma convergência em curso das mídias: tv, Internet e telefonia. Segundo eles, até 2005, os telefones móveis serão o dispositivo com maior número de clientes no mundo. Consequentemente, as organizações que desenvolvem aplicativos para esse setor devem se preparar desde já para o maior desafio desde a Internet. Entre 2003 e 2005, a entidade estima que o número de telefones moveis em todo mundo deverá exceder 1 bilhão de unidades.
Apesar das expectativas de que o bug do ano 2000 poderia diminuir a velocidade de venda de PCs, o mercado experimentou um robusto crescimento em 1999, de acordo com as estatísticas preliminares apresentadas pelo Dataquest. As remessas mundiais de PCs ultrapassaram 113.5 milhões de unidades em 1999, uni aumento de 21 .7% em relação a 1998. De acordo com o GartnerGroup, as remessas de PCs no mercado latino-americano ultrapassaram 4.6 milhões de unidades em 1999, um aumento de 30°c em relação a 1998. O mercado consumidor de PCs cresceu 66%, na América Latina em 1999, representando 33% de todas remessas de PC ao longo do ano. Em 1999, o Brasil contabilizou um total demais de 1.3 milhões de unidades, 13% acima do total de 1998.
No rastro do comércio virtual, surgem hábitos de consumo diferentes e novos modelos de marketing, redefinindo o conceito de competitividade entre as empresas. Produtos e serviços serão oferecidos em grande variedade e preço, desde simples commodities a itens mais sofisticados.
Ainda existem barreiras? Ninguém duvida; o custo de telecomunicações ainda é alto no nosso e em outros países; a segurança, a forma de pagamento e a análise de crédito também são desafiadores, sem falar na logística e na qualidade e custo do frete. Considere também o custo do computador versus nossa renda per capita. Mas, como nós sabemos, as barreiras podem cair rapidamente e proporcionar diversas oportunidades.
Para colocar a Internet no topo das prioridades, as empresas investem em redes cada vez mais poderosas. Os grandes usuários de tecnologia querem ter o consumidor na ponta da linha. Para isso querem popularizar ainda mais o uso do computador. Para os próximos meses, órgãos públicos e o Bradesco dão um passo importante para mudar essa realidade. Vão colocar máquinas de acesso à Internet espalhadas por agências, shoppings, aeroportos e lugares públicos. Tudo para impulsionar o comércio eletrônico que oferece um mar de oportunidades para quem não tem pressa de lucrar.
Em recente relatório da Ernst & Young – empresa de auditoria e consultoria com filial em Curitiba – sobre e-tailing, chamado Global Online Retailing, foram entrevistadas mais de 3 mil pessoas, além de 38 empresas ligadas ao comércio virtual, em seis países (Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Austrália, França e Itália), entre outubro e novembro de 1999. O relatório revela que mais de 85% o dos internautas canadenses que nunca fizeram compras on-line, por exemplo, pretendem fazê-lo nos próximos 12 meses. Na França, esse número chega a 80% e nos Estados Unidos a 79%. Trata-se de um resultado considerável, tendo em vista o potencial de vendas que esses novos consumidores podem
gerar na Internet.
O relatório mostrou ainda que nos Estados Unidos, 39% dos internautas fizeram 10 ou mais compras pela rede nos últimos 12 meses. Na Austrália, esse índice atinge 20%. Já no Canada, França e Inglaterra, 15% dos consumidores virtuais compraram mais de 10 vezes pela Internet em 1999. Os internautas também estão gastando mais com o consumo virtual: em 1999, os americanos gastaram em média US$ 1.205, quatro vezes o valor despendido em 1998 (cerca de US$ 280,00).
As perspectivas para o e-tailing são de franca expansão. Calcula-se que as vendas mundiais on-line dobrem, alcançando a marca de US$ 50 bilhões no final do ano. No Brasil, as projeções indicam vendas de US$ 3 bilhões até o final de 2001 O mercado on-line ainda é jovem, mas há um mundo de oportunidades atrás de nós. Fique “conectado” e atento ao desenrolar deste jogo em plena era da informação.

A nova faceta da tecnologia
MUITAS MUDANÇAS E AVANÇOS EM 24 ANOS

Entre todas as matérias que serão atualizadas nesta edição, provavelmente esta é a mais desafiadora, afinal, muita coisa mudou na área da tecnologia nos últimos 24 anos. Mudanças estas que também permeiam muitas outras questões abordadas nesta edição. O receio de um grande bug do milênio, citado na matéria, não se confirmou. Computadores seguiram funcionando perfeitamente na virada do milênio.
Hoje, a questão não gira mais tanto em torno do acesso à internet, praticamente universalizado, mas sim, da qualidade deste acesso. Segundo o estudo “Conectividade Significativa: propostas para medição e o retrato da população”, lançado em abril deste ano, apenas 22% dos brasileiros com mais de 10 anos de idade têm condições satisfatórias de conectividade. Realizada pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), braço executivo do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), a pesquisa mostra ainda que 33% da população estão no nível mais baixo do índice que mede a conectividade significativa no país (de 0 a 2 pontos) e 24% ocupam a faixa de 3 a 4 pontos, segundo matéria da Agência Brasil.
Os índices são mais baixos entre pretos e pardos, nas classes D e E, nas regiões Norte e Nordeste e nas cidades menores.
A grande questão atual das novas tecnologias é a Inteligência Artificial (IA), que está revolucionando todos os setores. A Siri, Alexa e sistemas de reconhecimento facial são exemplos já comuns da chamada IA Estreita ou Limitada (ANI – Artificial Narrow Intelligence). Já os carros autônomos, ainda não tão comuns, são exemplo da IA Geral ou Forte (AGI – Artificial General Intelligence). E ainda em estudo está a Superinteligência Artificial (ASI – Artificial Superintelligence), que promete superar a inteligência humana e é ao mesmo tempo uma grande promessa como também envolve polêmicas e questionamentos éticos.
+ dados
Informações gerais:
>> 84% da população brasileira – 156 milhões de pessoas acessaram a rede no Brasil
>> 97% é o índice de uso entre a população mais rica e 69% entre os mais pobres
(Fonte: Pesquisa TIC Domicílios 2023, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação – Cetic.br)
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