Ambiente de inovação no agro – qual o papel das startups?
Hub´s de inovação estão revolucionamento a tecnologia campo, com aumento de produtividade e diminuição de perdas

Agricultura de precisão, Internet das Coisas (IoT) e aplicação de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial (IA). Essas são algumas tendências de um ambiente de inovação que não para de crescer: o do agronegócio. Dados de um estudo publicado em 2022 na ScienceDirect, sobre a interação entre a Internet das Coisas (IoT) e a agricultura apontam que o mercado global de smart agriculture (“agricultura inteligente”), deve atingir US$ 15,3 bilhões já em 2025.
No Paraná, onde o agronegócio representa 35% do PIB, há uma série de iniciativas voltadas à inovação. Na última Expo Londrina, por exemplo, a sede da Cocriagro, hub de inovação fundado por George Hiraiwa e Tatiana Fiuza, se destacou pela Smart Farm, que contou com a participação de startups de tecnologia, facilitando a conexão com empresas, universidades, centros de pesquisas e órgãos públicos. “Contamos hoje com cerca de 70 startups de várias regiões do Brasil e de outros países, inclusive do Japão e Coréia”, conta Hiraiwa.
Entre elas está a TATILFish, empresa que usa IoT onde sensores monitoram variáveis da água (oxigênio e temperatura) para automatizar equipamentos capazes de regular a quantidade de ração oferecida para peixes. Fundada por Luiz Henrique Volso, a TATILFish já chegou a 800 tanques monitorados e comemora a receptividade dos produtores. “Nosso sistema traz uma grande economia, seja na diminuição do desperdício de ração, seja pela garantia de uma qualidade da água que permite a engorda e crescimento do peixe mais rápido. E isso nos mostra que estamos no caminho certo”, conta Volso.
Outro bom exemplo é a Termoplex, startup que oferece uma solução integrada de hardware e software para o armazenamento correto de grãos. Com dados inteligentes é possível monitorar os parâmetros que o produtor quer, economizar energia e aumentar a segurança, visto que o monitoramento é remoto e evita que as pessoas precisem ir até o silo. A Termoplex também já implantou a Inteligência Artificial e está atuando com assistente virtual via whatsapp, alertas inteligentes e predição. “Tudo isso evita perdas por secagem excessiva, aquecimento também, ou por condensação”, conta Vinicius Ortiz, diretor de tecnologia da Termoplex. Ele comemora o fato de alguns clientes não terem mais perdas após a contratação da startup, e a grande economia de energia, que pode chegar a 30%.
Para o gerente regional de Londrina do Crea-PR, eng. eletric. Edgar Matsuo Tsuzuki, ainda há um grande potencial de crescimento no uso de inteligência artificial, Internet das Coisas (IoT) e automação no agronegócio. “A coleta e o processamento de dados podem auxiliar os produtores e empresários a tomar decisões cada vez mais assertivas, promovendo redução de desperdícios e, consequentemente, aumento da produtividade”, avalia Tsuzuki. Como muitos processos agrícolas ainda não passaram por essas transformações, as oportunidades são inúmeras. “Com o avanço dessas soluções, o setor agroindustrial poderá alcançar níveis ainda mais elevados de eficiência e sustentabilidade”, finaliza o engenheiro.
História de inovação
A relação de George Hiraiwa e a tecnologia é antiga. Em 2016 ele já realizava em Londrina o primeiro hackathon agro do Brasil. De lá para cá ajudou no desenvolvimento de startups, foi secretário da Agricultura do Paraná, fundou e dirigiu a Agro Valley, até fundar a Cocriagro. Hoje ele interage com praticamente todos os hubs de inovação agro do país e também em Portugal, Estados Unidos e Japão.
Ele cita como exemplos de inovação a oferta de dados para interpretar informações e orientar o produtor na busca de sustentabilidade produtiva e a agricultura regenerativa, que busca a saúde do solo como principal fator de equilíbrio para melhorar a produtividade.
Engenharia e inovação
Por meio de pesquisa e aplicação dos seus conhecimentos técnicos, os profissionais das engenharias, agronomia e geociências trabalham no desenvolvimento de novas tecnologias e inovações para o campo em busca de maior produtividade, sustentabilidade e eficiência. Estes profissionais atuam de forma ativa e estratégica em todas as etapas do processo agroindustrial, desde o planejamento, plantio, colheita, transporte, beneficiamento e industrialização até a comercialização. O trabalho qualificado de quem atua em todas as etapas da cadeia produtiva foi fundamental para que o Brasil se tornasse um dos maiores fornecedores de alimentos do mundo.
Mas os profissionais enfrentam o desafio constante de se manter atualizados com as novas tecnologias em um mundo dinâmico e competitivo, caracterizado por transformações rápidas e pelos impactos das mudanças climáticas. Nesse contexto, as iniciativas de qualificação profissional, alinhadas à realidade de atuação, tornam-se cada vez mais essenciais. “Por isso, o Crea-PR, em parceria com entidades de classe, promove anualmente centenas de cursos e palestras técnicas, que desempenham um papel fundamental no aperfeiçoamento contínuo dos profissionais”, finaliza Edgar.
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