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Avanços na produção de erva-mate e de pinhão

Publicado em 12 de dezembro de 2023

Dois estudos da Embrapa Florestas focam em aumento de produtividade gerando ganhos aos produtores

Embrapa Florestas

A Embrapa Florestas divulgou dois estudos que chamam a atenção com inovações que impactam na produção da erva-mate e na produção precoce do pinhão. Conheça mais sobre os avanços.

Sistema Cevad Campo

Trata-se de um novo sistema de cultivo de erva-mate, que pode aumentar a produtividade em até 160% em quatro anos após o plantio, em condições de superadensamento, formado por mais de 25 mil plantas por hectare. Tradicionalmente, a espécie é cultivada em áreas naturais, em sistemas agroflorestais ou em monocultivos com espaçamentos de plantio em baixa densidade (que variam de 1,9 mil a 2,8 mil plantas por hectare). Outro diferencial do Cevad Campo é que utiliza maior quantidade de nitrogênio no plantio, proporcionando incremento de 86% na produtividade total de folhas e grande quantidade de ramos e folhas jovens, impactando no aumento de biomassa e abrindo novos mercados para a cultura.

O novo sistema é resultado da tese de doutorado defendida pela aluna Mônica Gabira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), sob orientação do pesquisador e Engenheiro Florestal Ivar Wendling, da Embrapa Florestas (PR). “Este estudo é estratégico na medida em que o mundo está cada dia mais descobrindo a erva-mate, com base em suas excepcionais propriedades bioativas e, consequentemente, benefícios para a saúde humana. Com o estudo, colocamos à disposição dos produtores um sistema de produção baseado em folhas e brotos novos que têm maiores teores de compostos bioativos”, explica.

Segundo o também pesquisador da Unidade, José Mauro Moreira, a avaliação econômica realizada sobre o Cevad Campo mostrou que, inicialmente, a implantação exige um investimento maior devido ao grande número de mudas necessárias, mas, após quatro anos, começa a gerar fluxo positivo de caixa e, após oito anos, retorna o capital investido na cultura, além de apresentar um potencial de ganho líquido anual de até oito vezes o retorno do sistema convencional.

O experimento de campo foi implantado em 2018, em General Carneiro-PR, onde foram avaliadas três densidades de plantio: com 9.090, 13.333 e 25 mil plantas por hectare – e cinco doses de adubo – 0%, 50%, 100%, 200% e 300% da dose recomendada de nitrogênio. Os dados foram avaliados em cinco colheitas subsequentes realizadas de maio de 2019 a maio de 2021, com períodos de rotação reduzidos.

O Cevad Campo é uma tecnologia que já está pronta para ser utilizada pelos produtores rurais. Novas pesquisas, em parceria com a UFPR, continuam sendo realizadas para aprimorar o sistema. “Os estudos têm o intuito de melhorar o sistema e avaliá-lo a longo prazo, voltados ao manejo nutricional e ao cultivo, este com foco no adensamento entre as plantas”, afirma Wendling.

Colheita

Colheita erva-mate

Além da alta produtividade, o superadensamento do Cevad Campo reduziu significativamente o tempo entre as colheitas, que no método tradicional é de 18 a 24 meses. No novo sistema, a colheita pode ser feita a cada três a cinco meses, o que significa uma diminuição média de 80% do tempo de rotação. Segundo os pesquisadores, a redução no tempo entre as colheitas possibilita aumentar a proporção de folhas novas. Por ser mais adensado e com plantas de menor porte, o sistema possui elevado potencial de mecanização das colheitas, otimizando o uso da mão de obra, cada vez mais escassa no meio rural.

“Há uma demanda crescente por folhas de erva-mate com maior qualidade que podem, adicionalmente, ser obtidas por meio de programas de melhoramento associados a características silviculturais diferenciadas, por exemplo”, afirma Wendling. “Os resultados divulgados demonstram o potencial da erva-mate para o manejo em povoamentos de alta densidade, com períodos de rotação reduzidos e manejo adequado de nutrientes para a produção de altos volumes de biomassa. Essas informações são importantes para plantios com essa finalidade”, complementa o pesquisador.

Resultados promissores

Cultivo erva-mate

A erva-mate é uma espécie arbórea nativa da América do Sul, suas folhas e galhos finos são cada vez mais consumidos por diferentes formas de infusão (em água quente ou fria) e em outros produtos, devido aos efeitos benéficos à saúde. Sua composição bioquímica tem cada vez mais despertado a atenção das indústrias alimentícias, que utilizam seus compostos como matéria-prima para produção de energéticos, por exemplo.

Apesar de sua importância econômica, ecológica e social, a silvicultura da erva-mate ainda carece de informações importantes e alternativas aos sistemas convencionais de produção de biomassa. “Os resultados desse estudo vêm colaborar com o desenvolvimento de um novo sistema de cultivo de erva-mate, com alta densidade de plantio, adequada fertilização, e obtenção de um produto diferenciado”, reforça Wendling.

O novo sistema, apresentado no início deste ano, segue em estudo. “Estamos avaliando a produção ao longo do tempo e a vida útil”, informa Wendling. O estudo também recomenda a atuação de um Engenheiro Florestal para acompanhamento de assistência técnica contínua e mão de obra especializadas para a implantação e o manejo deste sistema.

Retorno mais rápido

Colheita erva-mate

Em uma simulação feita pelos pesquisadores, foram comparados os custos de implantação e manutenção do sistema tradicional e do Cevad Campo para avaliar sua viabilidade econômica. O sistema Cevad Campo exige um investimento inicial significativamente maior, devido à grande quantidade de mudas por hectare. Mas, em compensação, apresenta elevado potencial de lucro, além de permitir a geração de resultados anuais de caixa positivos a partir do quarto ano, pela redução do tempo entre colheitas. No sistema convencional, a colheita é iniciada de dois a três anos e só vai atingir o ápice depois de dez anos. Já no sistema Cevad Campo, a colheita é constante e crescente, atingindo o potencial máximo já no quarto ano. O retorno do capital investido no novo sistema ocorre aos oito anos de cultivo, enquanto isso ocorre ao 14º ano no sistema convencional, mesmo com um investimento inicial bem mais baixo.

Erva-mate

Na natureza, a Araucária (Araucaria angustifolia), espécie florestal nativa brasileira, leva de 12 a 15 anos para produzir sua semente: o pinhão. Bastante apreciado na alimentação, o pinhão é considerado alimento funcional, benéfico à saúde, além de não conter glúten. No entanto, a sua cadeia produtiva é baseada no extrativismo e praticamente não há organização. Por outro lado, a araucária está na lista das espécies ameaçadas de extinção e são necessárias ações para estimular seu plantio e conservação. Juntando todos estes fatores, a Embrapa Florestas, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), buscou conhecer melhor a espécie e viabilizar a produção de pinhões em menos tempo por meio da técnica de enxertia. A ideia é incentivar seu plantio, possibilitar a geração de renda a produtores rurais e aumentar a oferta de um alimento saudável à população.

Como resultado de 18 anos de pesquisas conduzidas pelo pesquisador e Engenheiro Florestal Ivar Wendling, da Embrapa Florestas (PR), hoje produtores rurais têm acesso a metodologias de seleção de plantas superiores, enxertia e implantação de pomares de pinhão precoce, que começam a produzir na metade do tempo: de seis a oito anos. Como a araucária é uma planta dioica (possui árvores-macho e árvores-fêmea), também foram desenvolvidas técnicas para antecipação da produção de pólen para fecundação das pinhas. Além disso, já existem cultivares registradas junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e viveiros treinados na técnica. 

Plantação de Araucária

Em Bituruna (PR), a araucária de pinhão precoce virou política pública e produtores rurais foram incentivados a plantar em suas propriedades. A técnica utilizada, a enxertia, possibilita produzir pinhões com as características desejadas pelo mercado consumidor, pois é possível identificar e selecionar árvores matrizes de acordo com o que se deseja: época de produção, composição nutricional, produtividade, tamanho e formato do pinhão, entre outras. Além disso, a técnica possibilita a formação de enxertos de galho e de tronco, o que origina árvores em formatos diferentes que podem ser utilizadas de diversas formas na implantação dos pomares. Os enxertos de galho dão origem a árvores de porte arbustivo, com até cinco metros de altura. Já os enxertos de tronco dão origem a árvores maiores, com formação de tronco, que crescem como araucárias comuns mas vão produzir pinhas a uma altura mais baixa e mais precocemente.

“Além do consumo no mercado interno, percebemos um interesse do mercado internacional pelo pinhão por ser um alimento natural e por suas características benéficas à saúde. Mas, antes de tudo, precisamos aumentar a produção para termos uma constância de matéria-prima e não dependermos do extrativismo”, afirma Wendling. 

(Matéria produzida com entrevistas e materiais divulgados pela Embrapa Florestas)

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