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Avanços Tecnológicos

Topografia quebra paradigma e se torna tridimensional com advento de novas tecnologias 

“Nos últimos 10 anos, a Topografia tem passado por uma grande evolução, não somente em matéria de técnicas e equipamentos de mensuração, mas em sua própria conceituação”, conta o Engenheiro Cartógrafo, Luiz Augusto Koenig Veiga, professor do Departamento de Geomática, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). 

Ele explica que “a Topografia se dividia em duas grandes áreas: a planimetria e a altimetria. A primeira determina coordenadas planas e a segunda a coordenada altimétrica. Mas uma quebra de paradigma tornou a topografia tridimensional, uma ferramenta que nos permite modelar o meio de forma mais próxima à realidade.”

São avanços que trazem como resultado velocidade de medição e permitem que hoje sejam levantados milhões de pontos no mesmo tempo em que tradicionalmente se medem apenas algumas dezenas. 

Tecnologia

O Engenheiro Civil Carlos Aurélio Nadal, professor aposentado da UFPR, conta que entre as novas tecnologias, “merecem destaque as Estações Totais robotizadas, os escâneres tridimensionais a laser, os imageadores e medidores baseados em tecnologia radar e em tecnologia infravermelho, e uma série de outras possibilidades de localizações específicas que embasam pequenas e grandes obras de Engenharia.”

E Veiga acrescenta: “basta pensar no BIM (Build Information Modeling) – o primeiro passo é a criação de objetos e elementos modelados – que abre um grande campo de aplicação da topografia como ferramenta de captura 3D”.

Porém, ambos destacam que a evolução não extingue o levantamento topográfico tradicional, já que este é uma ferramenta do dia a dia dos profissionais da área.

Principais avanços e aplicações

  • Equipamentos atuais permitem que a planta do levantamento seja feita em campo, durante o processo de coleta de dados
  • Equipamentos de alta precisão são empregados em monitoramento de estruturas – como barragens e pontes
  • Estes equipamentos são programados para executar as medidas de forma autônoma, aumentando o número de observações, minimizando erros e permitindo uma resposta mais ágil
  • Os levantamentos podem ser realizados por uma única pessoa
  • É possível o desenvolvimento de programas dedicados para o controle dos equipamentos de campo – a automação topográfica.

Um panorama da topografia

O campo de trabalho e a aplicação da topografia de alta precisão no Brasil 

Com o novo conceito que surgiu nos últimos anos e que tornou a topografia tridimensional, mudou também o perfil dos profissionais da área, que precisam estar em constante atualização. “Mais do que nunca, trabalhar hoje com topografia não é mais somente dominar um teodolito. Para se destacar, o profissional precisa entender e diferenciar a topografia convencional da topografia de precisão ou moderna”, avalia o Engenheiro Cartógrafo, Luiz Augusto Koenig Veiga, professor do Departamento de Geomática, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). 

Segundo ele, os conceitos gerais são os mesmos, mas a forma de pensar um trabalho topográfico mudou. “O profissional precisa estar apto a trabalhar com diferentes sistemas de referência, a integração destes, o processo de automação, a integração com outros métodos de posicionamento e a preocupação constante com a instrumentação no sentido de que os equipamentos devem ser periodicamente verificados e revisados e, em situações específicas, calibrados. Para atingir a precisão que hoje é possível, temos que estar atentos a diversos detalhes que antes poderiam passar despercebidos, mas não mais. Atualização constante é chave”.

A Topografia no Brasil

No Brasil existe a mesma tecnologia disponível atualmente em todo mundo, porém o que limita ampliar o uso dessas novas tecnologias e equipamentos ainda é o custo de aquisição. ”Avaliando o custo inicial de investimento na automação topográfica, comparado com os benefícios que esta automação pode fornecer, acaba valendo a pena fazer o investimento. Imagine o caso do monitoramento de estruturas. O monitoramento topográfico não evitará por si só um desastre, mas pode fornecer preciosas informações para que ações de prevenção sejam realizadas antes de qualquer problema”, descreve Veiga.

O professor também destaca polos de excelência na pesquisa e desenvolvimento na área de Ciências Geodésicas no Brasil, com ênfase em posicionamento seja topográfico ou geodésico. Um destes polos, segundo ele, é a Universidade Federal do Paraná (UFPR).  “Lá são realizadas pesquisas de pós-graduação nas áreas de instrumentação geodésica e topográfica, automação de levantamentos, monitoramento de estruturas por técnicas geodésicas e topográficas e captura da realidade 3D, tendo laboratórios especializados nos assuntos destas áreas, como o laboratório de Instrumentação Geodésica, Laboratório de Geodésia Aplicada à Engenharia, Laboratório de Geodésia Espacial e Hidrografia e outros.”

Alta precisão

O professor aposentado e Engenheiro Civil Carlos Aurélio Nadal afirma que alguns serviços para serem executados exigem do profissional uma alta especialização em Topografia.  Trata-se da denominada Topografia de Alta Precisão ou Topografia Industrial. “Como exemplo podemos citar a locação de rotor de turbina em uma hidrelétrica – onde o raio do rotor é da ordem de metros e a precisão da locação é de um milímetro – ou ainda na arqueação de tanques de petróleo, realizado por exigência dos órgãos de metrologia industrial, locação de túneis e linhas de metrô, ferrovias com trens de alta velocidade, entre outros.”

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