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Bioinformática e a convergência de informações

O NAPI de bioinformática tem desenvolvido um trabalho em parceria com o governo da índia para colocar o paraná na vanguarda da tecnologia de supercomputação

SUPERCOMPUTAÇÃO NA PRÁTICA

“A grande vantagem da convergência destas áreas para a Agronomia, por exemplo, é usar programas de computador para analisar grandes quantidades de dados. Podemos analisar dados genéticos de centenas de plantas similares, por exemplo, e extrair informações relevantes como resistência a doenças ou a falta de água”, revela Roberto Herai, doutor em Genética e Biologia Molecular, pós-doutor em Genética de Micro-organismos, com atuação na área de genética e bioinformática e professor e coordenador do laboratório de Bioinformática da PUCPR, a bioinformática é a fusão de diversas áreas, onde destacam-se três principais: computação, biologia e estatística.

O estudo do genoma das plantas e animais em geral, contém bilhões de ‘letrinhas’, fazendo desta análise uma tarefa humanamente impossível. Por isso, para verificar o conjunto de sequências genômicas, são necessários softwares, supercomputadores e servidores em nuvem, que permitem que se desenvolva um algoritmo para processar grandes massas de dados e realizar essas comparações. “O resultado é simples, em um plantio de laranjas de diversas variedades, por exemplo, é possível identificar uma variedade de planta que não desenvolve determinado tipo de doença, fazer o recorte da sequência genômica que permite essa resistência, e inserir esse código genético em outro tipo de laranja que é suscetível àquela doença. Cria-se assim uma planta transgênica, segura, e sem perder as propriedades da fruta original”, explica Herai.

NAPI DE BIOINFORMÁTICA

Os NAPIs (Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação) compõem uma solução sociotécnica fortemente apoiada em pressupostos da Transformação Digital e, concomitantemente, da Gestão e Engenharia do Conhecimento. “Eles têm como objetivo conduzir a produção de conhecimento de forma colaborativa pelos pesquisadores paranaenses, incitados por demandas reais de desenvolvimento de setores estratégicos para o Estado, mediante o aporte de recursos financeiros (chamadas públicas da Araucária) e tendo como base uma plataforma digital”, afirma Luiz Márcio, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária.

Segundo Roberto Ferreira Arto- ni, que coordena esse trabalho, o NAPI de Bioinformática é decor- rente de ações anteriores. “Nós como pesquisadores estamos envolvidos com o desenvolvi- mento de uma cadeia produtiva relacionada à supercomputação, isso porque os supercomputa- dores são de difícil acesso e pre- cisávamos desse acesso no Esta- do do Paraná”, explica.

Para isso o NAPI de Bioinformática tem desenvolvido um trabalho em parceria com o Governo da Índia que trabalha com tecnologias HPC (High Performance Computing), uma grande possibilidade de colocar o Paraná na vanguarda dessa tecnologia de supercomputação.

A Bioinformática é uma área que traz ferramentas poderosas na interpretação de dados, cada vez mais complexos e massivos que não são passíveis de aná- lises simples. Os algoritmos de bioinformática e o uso de supercomputação, por exemplo, permitem realizar a previsão do tempo com vários dias de antecedência e com alta precisão.

“No Paraná, temos em torno de 10 mil doutores com alguma interface com a Bioinformática, seja com programas de pós-graduação ou associados ao NAPI de Bioinformática. Em Ponta Grossa, por exemplo, temos um labora- tório de supercomputação com demandas de pesquisas em biologia evolutiva, saúde e Agronomia. Este é o cerne do nosso núcleo de inovação que demanda cálculos extremamente complexos”, revela Roberto Artoni.

Existe uma necessidade mundial de convergência, interação e integração de áreas e a bioinformática faz isso muito bem.

“Nós como pesquisadores estamos envolvidos com o desenvolvimento de uma cadeia produtiva relacionada à supercomputação.”

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