Busca conjunta de solução para drenagem
Crea-PR e Entidades de Classe participam de comissão para revisão de Norma sobre área permeável em Maringá

Um eficiente sistema de drenagem urbana é essencial para dar vazão às águas superficiais de uma área e conduzi-la a um local adequado para evitar inundações, deslocamento de sedimentos e erosão, que podem afetar as cidades trazendo custos ambientais, sociais, econômicos e de saúde.
Em Maringá, as chuvas nos últimos meses têm causado transtornos e vários pontos de alagamento são noticiados sempre que o volume é um pouco maior, como, por exemplo, nas avenidas Colombo e Kakogawa. Pensando em estudar alternativas e elaborar propostas para a melhoria e maior eficiência dos sistemas e dispositivos de drenagem na cidade, uma Comissão Multidisciplinar formada por membros da Prefeitura de Maringá, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Maringá (IPPLAM) e servidores do Instituto Ambiental de Maringá (IAM) vêm realizando a revisão da Norma Regulamentadora Municipal E-10002, que dispõe sobre a “Área permeável e dispositivos de captação, retenção, infiltração e percolação de águas pluviais”.
“Estamos realizando estudos sobre soluções que possam agregar, gerando menos impacto ao meio ambiente, sendo mais eficientes e sustentáveis, além de serem baseadas na natureza”, exemplifica a Arquiteta Carla Oliveira Moreschi, do IPPLAM.
O trabalho teve início em outubro do ano passado e segue em andamento. Na primeira etapa, a Norma foi debatida sob o aspecto dos pequenos lotes; na segunda, grandes empreendimentos; na terceira, que está em andamento, loteamentos. Segundo Carla, a expectativa é que até o fim do ano a Minuta de Lei esteja pronta.

A Comissão tem solicitado a participação de diversas Entidades a fim de receber sugestões para a melhoria da Legislação. Uma delas é o Crea-PR, que já participou de algumas reuniões na Prefeitura e recebeu membros da Comissão em novembro para esclarecimentos e apresentação de sugestões e soluções de drenagem para lotes de grandes empreendimentos.

Representando o Crea-PR na Comissão, por meio da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Maringá (AEAM), Silvio Rodrigues da Silva propõe que seja criado um Plano de Desenvolvimento e Drenagem, levando em consideração soluções a longo prazo e de maneira macro. “Estudos que possam contemplar modelagem hidráulica e hidrológica, zonas de inundação e cotas, reservatórios, canalizações, entre outros. Que a Prefeitura possa providenciar cisternas nos terrenos com a possibilidade de canalização de águas pluviais pela boca de lobo e utilizar telas ou filtros. Também seria importante fazer, de maneira mais massiva, campanhas de conscientização da população de que lugar de lixo é no lixo, e o município intensificar a limpeza das ruas e galerias”, comenta Silvio.
Danilo Giampietro Serrano, que representa o Crea-PR por meio da Associação dos Geógrafos Brasileiros – Regional Maringá (AGB-Maringá), diz que uma preocupação é realizar a discussão da forma mais técnica possível, a fim de que as soluções propostas evitem dificuldades futuras. Ele explica que hoje o sistema de drenagem é basicamente convencional: a água da chuva que cai nas casas, ruas, praças é direcionada por bueiros e tubos até os rios. “Estamos discutindo uma visão mais ampla de melhorias que possam ser aplicadas em uma área que já tenha sistemas como esse instalados. É importante uma infraestrutura que possibilite a diminuição do pico de vazão para que os rios não se deteriorem e recuperem sua diversidade natural”, comenta.
A gerente da Regional Maringá do Crea-PR, Viviani Hannebauer, destaca que o Conselho tem a missão de atuar com eficácia na orientação, fiscalização, valorização e aperfeiçoamento do exercício profissional em benefício da sociedade. “Os profissionais da engenharia, agronomia e geociências desempenham papel fundamental na busca por soluções inovadoras e eficientes, que possam minimizar os impactos das chuvas e promover uma gestão adequada das águas pluviais. Com a participação ativa do Conselho e das Entidades de Classe nesse debate junto à Prefeitura, o objetivo é garantir a aplicação das melhores práticas e o uso das tecnologias mais adequadas para o dispositivo de detenção de águas pluviais em Maringá”.
Viviani acrescenta que o Crea-PR tem a responsabilidade de enfatizar a importância da engenharia nesse contexto, destacando sua capacidade de propor soluções inovadoras e sustentáveis. “Ao desempenhar esse papel ativo, o Conselho contribui para a consolidação de uma sociedade mais consciente e responsável, na qual o desenvolvimento econômico caminha lado a lado com a preservação ambiental, garantindo um futuro melhor para todos”, finaliza.

Recuperação

Exemplos de ações que podem ser tomadas para minimizar os efeitos das chuvas são os parques. O projeto Parques Urbanos, do Governo do Estado, está mudando a realidade de diversos municípios do Paraná. Por meio da ação, uma inciativa do Instituto Água e Terra (IAT), áreas sujeitas a ações erosivas ou regiões de fundo de vale que sofrem a degradação ambiental são completamente revitalizadas. Até o momento já foram entregues 25 complexos deste tipo em diferentes regiões do Paraná. Outros 38 estão em construção ou em fase de licitação. O investimento global é R$ 73 milhões.
Maringá foi beneficiada com a implantação do Parque Gralha Azul, às margens do Rio Ribeirão Maringá, uma Área de Preservação Permanente (APP), com 8,3 mil metros quadrados. Ao todo, o investimento foi de R$ 1.871.180,45.
Antigamente, o curso hídrico do rio estava em processo erosivo gerado pela drenagem das águas pluviais dos bairros próximos, problema ambiental sanado com a construção do parque urbano. Mas não foi só isso. O projeto permitiu conter as constantes queimadas provocadas por ações humanas, além de oferecer aos moradores da região o primeiro espaço de lazer no bairro.
(Com informações da Assessoria de imprensa Crea-PR – Regional Maringá e Agência Estadual de Notícias)
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