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Clonagem de plantas: mercado em evolução e crescimento

Publicado em 12 de dezembro de 2023

Setor tem avançado com uso de IA e é oportunidade para futuros profissionais 

Setor tem avançado com uso de IA e é oportunidade para futuros profissionais

Recentemente duas startups brasileiras de clonagem e propagação de mudas receberam investimento milionário da WBGI. Segundo o sócio João Blasco, esses dois investimentos são fruto de um grande potencial no mercado de produção, edição e melhoramento genético de mudas de alta qualidade.  

E uma empresa australiana desenvolveu um sistema de clonagem denominado SmartCloneTM, que usa robótica de precisão para fornecer clones perfeitos do material original, usando condições personalizáveis para cada fase de crescimento. No Brasil, a Embrapa testa equipamento que detecta doenças em estágio inicial nas lavouras de soja por meio de inteligência artificial (IA). 

Os três assuntos foram divulgados recentemente em veículos de imprensa e trazem em comum uma amostra de como o setor de clonagem de plantas está crescendo e se aperfeiçoando com uso de novas tecnologias.

“É incrível o que a inteligência artificial agrega nesta área. Já temos viveiros completamente robotizados, o que confere uma eficácia e uma qualidade muito superior e totalmente diferenciada. Por meio da tecnologia há controle ambiental, de temperatura e de umidade, por exemplo, muito mais refinado, e as plantas recebem exatamente o que precisam para seu desenvolvimento”, explica a Engenheira Agrônoma Sandra Regina Cabel, professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e vice-presidente do Crea-PR. 

Além da tecnologia, Sandra também destaca novos produtos como fitorreguladores, ou reguladores de crescimento – que atuam nos processos fisiológicos com ações análogas ou antagônicas aos principais hormônios vegetais, que podem ser aplicados nas plantas para melhorar o desenvolvimento – e bioinsumos – produtos biológicos destinados ao controle biológico, bem como na síntese de promotores de crescimento – que têm contribuído para o melhoramento das técnicas de clonagem.

E o Brasil se destaca nesta questão. “Temos muitas pesquisas sendo realizadas nas Instituições de Ensino, nas unidades da Embrapa e em empresas particulares”, conta. Em 40 anos trabalhando na área, Sandra acompanhou a mudança de perfil do setor. “No início da minha vida profissional trabalhei em uma grande empresa patrocinada por investidores para pesquisas. No entanto, hoje, o perfil é mais de pequenos laboratórios espalhados pelo País, trabalhando especificamente com material genético de interesse das empresas”, explica. 

Vantagens

Entre as vantagens da clonagem em laboratório está a identidade genética. São mudas produzidas de forma homogênea e com estabilidade para garantir as mesmas características genéticas de produção e de qualidade do fruto da planta-mãe, da qual foi retirado o material genético inicial para a propagação. A maioria das plantas que fica no campo tem doenças e a clonagem permite produzir novas mudas sadias, um ganho em produtividade. “Também garante um plantio e raízes homogêneas”, explica a professora.

Técnica

A micropropagação (ou propagação vegetativa in vitro) permite a reprodução rápida de plantas com características superiores. “Tudo é feito em ambiente controlado, com meio de cultura asséptico. São as chamadas plantas in vitro porque tudo inicia com tubos de ensaio, com segmentos de plantas individualizados, para mais tarde serem multiplicados em potes com um número expressivo de brotações”, explica Sandra. Segundo ela, isso permite a produção de muitas plantas geneticamente idênticas – clones – em local de tamanho reduzido e em um curto espaço de tempo.

Já na macropropagação são várias técnicas como as enxertias e suas divisões, estaquias, alporquias, encostias, entre outras. “São utilizadas principalmente em frutíferas, plantas ornamentais, olerícolas e espécies florestais. Nesses casos, as técnicas são aplicadas em viveiros, em casas de vegetação com ambientes controlados para a garantia de produção e qualidade”, conta Sandra.

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