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Cultivo de bambu no sudoeste do Paraná apresenta resultados promissores

VERSATILIDADE, ECONOMIA E SUSTENTABILIDADE SÃO ALGUMAS DAS VANTAGENS MOSTRADAS PELAS PESQUISAS DA UTFPR

Foi durante um curso na China que o engenheiro mecânico Fabiano Ostapiv se encantou com a versatilidade do uso do bambu. Resistente como aço, a planta pode ser usada na construção civil como fonte de energia e até no ramo alimentício, podendo ser consumida em broto ou utilizada na produção de cervejas artesanais.

Na China, cerca de dez mil empresas giram em torno dessa cadeia produtiva, gerando em média 8 bilhões de dólares por ano. Por aqui, embora conte com algumas espécies, o cultivo não é difundido. Foi assim que Ostapiv e o professor Eleandro Brun, junto com outros professores da UTFPR, iniciaram uma pesquisa em 2013 para verificar a viabilidade de plantar a espécie no sudoeste do Paraná.

Os objetivos, desde então, são fomentar a cadeia produtiva do Paraná, oferecendo uma alternativa sustentável, e com diversas possibilidades de uso. “O bambu pode ser muito útil para as Engenharias Civil, Florestal, Agronomia, Sanitária e Ambiental. Isso o torna potencial para o Sudoeste do Paraná, pois em uma pequena área de plantio o produtor consegue tirar material para diversos usos na propriedade e para a comercialização”, conta o professor Eleandro Brun.

Com sinal verde, a plantação iniciou em 2014, em parceria com a empresa Bambu Carbono Zero. Hoje, as hastes chegam a 23 metros, mas podem chegar a 40 em mais de três anos. Os bambus gigantes estão localizados no campus da UTFPR em Dois Vizinhos, na maior floresta experimental do Paraná, tendo pesquisas sendo realizadas pelos alunos da instituição, junto com os professores. Desde 2014, foram desenvolvidos produtos como pranchas de surf, habitações rústicas, pisos, painéis laminados, compensados, shape de skate e até muletas de bambu.

Os estudos são promissores e indicam que a espécie pode ser usada puramente na construção civil, ou misturada com cimento e outros materiais, para gerar energia com a biomassa, e no ramo alimentício. “Nós acreditamos que a Engenharia Florestal tem uma enorme contribuição para a sociedade. As pesquisas indicam que o uso do bambu pode ser implementado nas pequenas e médias propriedades rurais e indústrias, pois é um material atrativo, resistente, e que pode substituir outros elementos mais caros”, explica Brun.

Vantagens

As espécies de bambu crescem bem em terra fértil, mesmo sem adubação. Dessa forma, ele se torna autossustentável pela ciclagem de nutrientes. Com isso, há uma redução no custo de implantação, sendo uma alternativa atrativa para pequenas e médias propriedades rurais. Além da resistência – as hastes são tão firmes quanto o aço, podendo substituir materiais como madeira, ferro, plástico e o próprio aço – algumas espécies podem ser utilizadas no paisagismo, na indústria moveleira

como acabamentos, corrimãos e utensílios domésticos, na alimentação no consumo do broto (como o palmito) e na produção de cervejas artesanais. “A partir do terceiro ano, é possível fazer um corte planejado, ordenado, de forma que se tenha corte de varas e hastes todos os anos”, explica Brun. Os próximos passos da pesquisa são oferecer protocolos de implantação, manejo e uso dos bambus nas propriedades rurais e incentivar as empresas a conhecerem os múltiplos usos da espécie. “Queremos que toda a sociedade conheça os resultados das pesquisas e que sejam aplicados em prol do desenvolvimento para o bem de todos”, almeja Brun.

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4 comentários em “Cultivo de bambu no sudoeste do Paraná apresenta resultados promissores

  1. Saulo José Barbieri disse:

    Olá professor Eleandro Brum! Ex colega de turma…
    Parabéns pela pesquisa com bambu!
    Sempre fui apaixonado por este assunto porém nunca tive oportunidade de desenvolver algo sobre.
    Gostaria de poder ter mais informações sobre seu projeto….
    Tenho interesse em contribuir de alguma forma, quem sabe até replicar testes na região central do RS….

    Vamos mantendo contato…

    Grande Abraco e Parabéns!

    Saulo Barbieri.
    51 9 99002974 watts
    Saulojosebarbieri@hotmail.com

    1. Crea-PR disse:

      Olá Sr. Saulo, agradecemos a leitura e a mensagem, que será encaminhada ao entrevistado Eleandro.

  2. Cida Pagoto disse:

    Qual espécie vocês estão cultivando?

    1. Crea-PR disse:

      Olá Cida, conforme informações do entrevistado, o estudo está sendo feito com Dendrocalamus Asper (nome científico). Aqui nesta matéria tem mais algumas informações: https://g1.globo.com/pr/parana/caminhos-do-campo/noticia/2021/06/13/pesquisadores-da-utfpr-estudam-a-viabilidade-do-plantio-do-bambu-gigante-no-sudoeste-do-parana.ghtml.
      Agradecemos sua leitura e sua mensagem.

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