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Destaque no Paraná, a aquicultura é reflexo da presença de engenheiros na cadeia de produção

HOJE, O ESTADO POSSUI QUATRO CURSOS DE ENGENHARIA DE AQUICULTURA E UM DE ENGENHARIA DE PESCA
EM FUNCIONAMENTO

O Paraná é hoje líder nacional na produção de tilápias, resultado de sucesso do trabalho dos profissionais da engenharia

Em meio à pandemia, a aquicultura continua crescendo no Brasil, seguindo uma tendência registrada desde 2018. Somente no último ano, o setor cresceu 5,9% e a produção de peixes de cultivo saltou para 802.390 toneladas. Foi o segundo melhor desempenho desde 2014, ano em que a Peixe BR, Associação Brasileira da Piscicultura, foi fundada e iniciou o levantamento da produção nacional. O aumento da produção e do consumo de peixe
pelos brasileiros, em especial a tilápia, cuja produção cresceu 12,5% em 2020, chegando a 486.155 toneladas,
tem aquecido o mercado na busca por engenheiros de aquicultura e de pesca, uma vez que a tecnologia está cada vez mais presente na cadeia de produção, demandando conhecimentos cada vez mais técnicos e especializados.

Para o engenheiro de pesca Ronan Maciel Marcos, que foi coordenador do curso de Engenharia de Aquicultura
da Universidade Federal Fronteira SUL (UFFS), o mercado precisa, cada vez mais, de novos profissionais e isso é sentido na organização da cadeia produtiva. “Hoje há mais fábricas e empreendimentos sendo instalados e as cooperativas também têm investido bastante na piscicultura. Temos novas fábricas de rações, além do aumento da tecnificação das produções”, detalha. Com o aprimoramento da tecnologia, houve investimento especialmente na instalação de novos espaços. Há alguns anos, havia capacidade máxima de criação de três a quatro peixes por metro quadrado. Hoje, a partir dos estudos e acompanhamentos de profissionais especializados, se tornou possível a criação de seis a oito peixes por metro quadrado. No quesito peso, também houve melhorias: em 2005, a média por tilápia era de 400g. Hoje, já é possível encontrar tilápias pesando entre 800g e 1,2 kg. Ronan afirma que os engenheiros de aquicultura e de pesca são protagonistas dos progressos sentidos na cadeia da produção, uma vez que dominam o conhecimento necessário para a execução de todas as fases de produção. Para ele, essa presença de profissionais qualificados tem destacado o Paraná no mercado de peixes. “O produto do Paraná é muito padronizado, tem qualidade superior, é consumido em diversos estados, além de ser enviado para exportação, devido ao apuro técnico especializado. Isso é o efeito claro da Engenharia e da presença de engenheiros com grande capacidade técnica”, afirma.

Fonte de colágeno, a exportação da pele de tilápia congelada pode ser uma alternativa estratégica aos produtores.

Desafios

Ronan acredita que, embora haja um aquecimento do setor e o desenvolvimento nos últimos anos, ainda são necessárias melhorias na organização da cadeia produtiva e na logística. O preço da energia também é um desafio para os produtores. “O Paraná poderia lutar por incentivos fiscais na área de energia para que haja mais crescimento e tenha vantagens sobre outras atividades”, sugere.

Formação

Com perspectiva promissora de crescimento, pelo aprimoramento constante da tecnologia, e o investimento na organização da cadeia de produção, a presença de engenheiros de aquicultura e pesca deve aumentar cada vez mais no setor produtivo. Atualmente, no Brasil, existem 26 cursos de formação em Engenharia de Pesca e 14 em Engenharia de Aquicultura. Ronan explica que a profissão é nova e foi regulamentada em 2006 e que existem diferenças entre as especialidades de Aquicultura e Pesca. Embora trabalhem com os mesmos produtos, os alimentos retirados da água, o engenheiro de aquicultura é especializado na produção e tem como foco organizar os meios para que se produza com qualidade. Já o engenheiro de pesca amplia a atuação, podendo atuar também com pesca esportiva, extrativista e conservação ambiental. “São profissões irmãs, atuam com focos diferentes, mas que usam os mesmos recursos”, explica.

O Paraná também se destaca na formação dos engenheiros de aquicultura e pesca:

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