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Economia circular mostra a versatilidade da engenharia agronômica

Por meio de uma visão sistêmica que permeia toda a cadeia de produção, o engenheiro agrônomo une campo e cidade como um organismo sustentável

A engenharia agronômica é uma profissão que tem muitas frentes de atuação, já que uma das principais características desses profissionais é a visão sistêmica sobre a produção. Desde a importância das áreas de preservação, recursos hídricos, fauna e flora até a sustentabilidade na produção de alimentos, energia e outros produtos da Agronomia.

Para Pablo Georgio de Souza, professor de Agronomia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, a visão sistêmica do engenheiro agrônomo permite enxergar como cada produto é utilizado, para minimizar a geração de resíduos e reutilizar os que são gerados em cada processo, garantindo assim uma economia circular que une o campo e a cidade.

“Preservar para produzir e produzir para ter recursos financeiros para sustentar a preservação.”

“Muita gente pensa como se livrar do lixo, o agrônomo pensa em converter o resíduo orgânico em matéria-prima para processos de produção. Precisamos aumentar o percentual de aproveitamento de materiais recicláveis e transformar os não recicláveis em biogás, fertilizante, substratos, aplicando estes elementos em diferentes sistemas, seja na produção de alimentos, projetos de paisagismo, ou na ampliação de áreas verdes nas cidades”, afirma o professor.

Pablo explica que da mesma for- ma que os alimentos vão para a cidade, os resíduos podem voltar para o campo. Então, se forem processados corretamente, podem produzir novas matérias-primas, substratos, fertilizantes e energia para o sistema de produção. “O engenheiro agrônomo transita entre o campo e a cidade, para que os dois organismos trabalhem juntos de forma sustentável”, declara.

“Preservar para produzir e produzir para ter recursos financeiros para sustentar a preservação. Essas áreas não são concorrentes, mas têm que andar em equilíbrio e o agrônomo é um dos principais profissionais responsáveis por manter esse equilíbrio”, explica Pablo.

Nesse cenário, a agricultura urbana com mini sistemas de produção, pequenas áreas residenciais e até hortas urbanas vêm crescendo. Esses sistemas precisam de um engenheiro agrônomo para uma gestão de qualidade de toda a cadeia produtiva, garantindo o melhor aproveitamento de todos os componentes do sistema.

“Várias empresas, como os supermercados, também precisam desse profissional, que entenda da qualidade do alimento e do processo produtivo, garantindo a qualidade dos insumos que chegam ao consumidor final. Isso também vale para empresas que comercializam o alimento, nesse caso cabe ao agrônomo identificar os produtores, para que as indústrias tenham profissionais capacitados para uma comprar produtos de boa qualidade, garantindo o fluxo de oferta e demanda”, garante o professor.

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