×

IA: conselheiros falam sobre a revolução nas área tecnológicas

Publicado em 7 de maio de 2024

Recursos de IA já estão no cotidiano, conselheiros falam sobre o impacto nas diversas área das Engenharias 

A Inteligência Artificial (IA) já faz parte do dia a dia. Siri, Alexa e sistemas de reconhecimento facial são exemplos já comuns da chamada IA Estreita ou Limitada (ANI – Artificial Narrow Intelligence). Já os carros autônomos, ainda não tão comuns, são exemplo da IA Geral ou Forte (AGI – Artificial General Intelligence). E ainda em estudo está a Superinteligência Artificial (ASI – Artificial Superintelligence), que promete superar a inteligência humana e é ao mesmo tempo uma grande promessa e envolve polêmicas e questionamentos éticos.

Mas e nas Engenharias, Agronomia e Geociências, como está a IA? Perguntamos aos novos coordenadores de Câmaras Especializadas do Crea-PR sobre o tema em suas áreas e o papel dos profissionais no combate ao mau uso das ferramentas. Confira: 

Engenheiro em Eletrônica Rodrigo Adamshuk Silva
coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Elétrica (CEEE)

“A IA promete uma revolução em todas as áreas das Engenharias em especial a Engenharia Elétrica. Da automação industrial ao desenvolvimento de sistemas energéticos eficientes e sustentáveis, a IA pode auxiliar para otimizar projetos, operações e manutenções elétricas. Na educação em engenharia, ela personaliza o aprendizado, adaptando-se às necessidades dos alunos e fornecendo ferramentas para  simulação e análise, melhorando sua compreensão. Como engenheiros, nossa responsabilidade é conter a desinformação do mau uso da IA. Precisamos ensinar sobre o que ela pode e não pode fazer, ser éticos e honestos quando a usamos, e responsáveis por como os programas funcionam, sempre atentos a problemas que podem envolver preconceito e privacidade. É importante que as pessoas aprendam a usar a tecnologia de for ma inteligente e crítica, especialmente porque a IA pode espalhar informações falsas. Colaborar ativamente para uma cultura de uso responsável da IA é papel do Engenheiro, essencial para aumentar os benefícios e reduzir os danos.”

Engenheiro Agrônomo Clayton Corrêa de Almeida – coordenador da Câmara Especializada de Agronomia (CEA)

“A IA impactará na computação que pode executar serviços que requerem inteligência humana como aprendizado, raciocínio e tomada de decisões. Pode ser aplicada em várias áreas, desde a gestão de cultivos até a cadeia de suprimentos e o monitoramento ambiental, tais como: Agricultura de Precisão; Monitoramento da fitossanidade das Plantas; Automação de afazeres no empreendimento agrícola; Previsão de Produção; Sustentabilidade Ambiental”.

Mau uso

“A confiança excessiva em sistemas de IA pode levar à perda de criatividade, habilidades e pensamento crítico e intuição humana. Encontrar um equilíbrio entre a tomada de decisão assistida por IA e a entrada humana é vital para preservar nossas habilidades cognitivas.”

Engenheiro Civil Dante Alves Medeiros Filho – coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Civil (CEEC)

“Na Engenharia Civil a utilização de computadores é feita deste o seu surgimento. Nesse contexto, a IA promete ser uma ferramenta promissora para o desenvolvimento de atividades profissionais. Traz eficiência, eficácia e precisão para os trabalhos. Essa tecnologia permeia o desenvolvimento de sistemas computacionais em praticamente todas as áreas da engenharia: projetos, cálculos, perícias, fiscalizações, simulações, são apenas algumas das possibilidades de seu uso. Além da utilização em obras e serviços de engenharia, essa tecnologia também aparece nos equipamentos, potencializando seu uso e a variedade de aplicações. É preciso destacar que apesar da fantástica contribuição da inteligência artificial, suas conquistas se baseiam em acontecimentos passados para subsidiar atividades do presente ou futuro. Ela passa a ser uma grande ferramenta para a dedução sobre situações futuras. A IA ainda é tímida na autonomia e criação, fato que valoriza a participação efetiva na tomada de decisões por um profissional da Engenharia.”

Engenheiro Florestal Eleandro José Brun – coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Florestal (CEEF) em parceria com a Engenheira Florestal Grasielle A. T. Lorencetti

“Na Engenharia Florestal a IA tem potencial para revolucionar métodos de cultivo, monitoramento, conservação e manejo dos recursos naturais e abre portas para inovações significativas que vão impulsionar a sustentabilidade e a eficiência na gestão dos ecossistemas florestais. 

A IA pode ser utilizada no monitoramento de florestas com uso de algoritmos na análise de imagens de satélite e dados de sensores remotos; na modelagem e simulação da dinâmica de ecossistemas florestais; na silvicultura e manejo florestal; e na programação de atividades com mínimos impactos ambientais. Além disso, a IA está nas tecnologias inovadoras, como robôs autônomos e drones para tarefas em áreas de difícil acesso ou perigosas para humanos. Abre novas perspectivas e oportunidades para a gestão sustentável e aprimora a capacidade de produzir, conservar, proteger e manejar de forma responsável as florestas, tornando-as ‘florestas inteligentes’”.

Mau uso

“O Engenheiro Florestal tem um papel fundamental no desenvolvimento da IA no contexto florestal, fornecendo educação, análise crítica, uso ético e participação em políticas públicas para garantir que essa tecnologia seja usada de maneira responsável e sustentável.”

Engenheiro Químico Luiz Eduardo Caron – coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Química, Geologia e Minas (CEEQGEM)

“Nas indústrias químicas já é realidade a automação intensiva no controle de processos, que se ajustam, em tempo real, às condições operacionais, fazendo relação direta entre o chão de fábrica e os centros de controles. O uso da IA na Engenharia Química permite o desenvolvimento de novos materiais, medicamentos, alimentos, produtos químicos e outros bens, alterando conceitos e aplicações pré-estabelecidos, trazendo melhorias na eficiência, segurança e sustentabilidade dos processos e produtos químicos.

Na Geologia e na Engenharia de Minas, a IA vem revolucionando a forma de exploração dos recursos minerais, através do planejamento das operações, na garantia da segurança e eficiência das atividades extrativas. O avanço da tecnologia e o acesso a grandes volumes de dados, na Geologia, proporciona interpretações geofísicas, geoquímicas e geológicas mais eficientes, resultando em identificações precisas de depósitos minerais.

Na Engenharia de Minas a IA trará maior eficiência aos processos de perfuração, carregamento e transporte, oferecendo economia, devido a maior captação de dados. Na manutenção de equipamentos a utilização de sensores possibilitará eficiência operacional e segurança.

A maior automação poderá causar alteração da empregabilidade. A velocidade e o volume destas mudanças podem causar instabilidades no tecido social. Outro risco que atinge países menos desenvolvidos é a concentração do conhecimento tecnológico em países mais avançados.

Neste sentido, é fundamental que instituições de ensino e formação possibilitem acesso aos desenvolvimentos tecnológicos para os alunos. Do ponto de vista da Engenharia, é preciso que o Sistema Confea/Crea se adeque a esta nova realidade, cumprindo seu papel de zelar pelas profissões. Finalmente, que o setor industrial compreenda a importância da IA, sem esquecer a essencialidade do ser humano para a condução do processo.”

Engenheira Mecânica e Engenheira de Segurança do Trabalho Ingrid Froba – coordenadora da Câmara Especializada de Engenharia Mecânica e Metalúrgica (CEEMM) em parceria com Engenheiro Mecânico Paulo Cesar Moselli

“A IA na Engenharia Mecânica tem desempenhado um papel significativo na redefinição das indústrias e tecnologias associadas, como automação de processos de manufatura, design de novos produtos, produção e manutenção. Um exemplo clássico são as ferramentas CAD/CAM/CAE/CIM.

Atualmente, com a evolução da IA que traz maior velocidade de processamento, a capacidade de processar imagens e o desenvolvimento de softwares para modelagem e simulações, os engenheiros mecânicos têm a capacidade de desenvolver produtos inovadores e sustentáveis de forma mais eficiente, precisa e segura. Essa integração da IA na Engenharia Mecânica tem implicações profundas no aumento da produtividade, na redução de custos e no desenvolvimento de soluções mais avançadas e adaptáveis às demandas do mercado.”

Mau uso

“O profissional deve ter como prioridade a ética e a responsabilidade no desenvolvimento de suas atividades. No uso da IA deve agir de forma consciente e imparcial, evitando ou minimizando os impactos negativos que possam surgir, garantindo que a tecnologia seja usada de forma responsável na educação e conscientização da sociedade sobre os limites e riscos da IA.”

Geógrafo José Roberto Francisco Behrend – coordenador da Câmara Especializada de Agrimensura e Engenharia de Segurança do Trabalho (CEAEST)

“A IA já está impactando nas Engenharias e Geociências, direta ou indiretamente.  Muitos enxergam a inteligência artificial apenas na elaboração de conteúdo, mas ela também está vinculada à análise, auxilio em interpretação e ao relacionamento com outros campos afetos às Engenharias e Geociências como com leis, decretos, normas e, inclusive, jurisprudências em processos administrativos para tomada de decisão.

No âmbito dos profissionais do Sistema Confea/Crea, o que entendo é que o uso da IA, o machine learning, acaba migrando de um conhecimento e interpretação lineares até então eram o conceito aplicado aos softwares utilizados, para um novo modelo, que passa a reconhecer e evoluir os processos e projetos, levando em consideração o potencial de conhecimento adquirido pelos profissionais, ‘experiência’ para a resolução dos problemas e desafios que são a base dos profissionais das Engenharias e das Geociências.”

Mau uso

“O papel do profissional é promover a transparência, fazer uma autoavaliação constante sobre os limites da tecnologia e incentivar práticas éticas. Isso inclui desde o desenvolvimento até a aplicação de algoritmos com cuidado e responsabilidade, sempre lembrando de suas obrigações legais conforme a regulamentação da profissão, devidamente balizados pelo Código de Ética.”

Deixe seu comentário

4 comentários em “IA: conselheiros falam sobre a revolução nas área tecnológicas”

  1. Carlos Alberto Molkenthin disse:

    Ingrid meus cumprimentos pelo seus comentários sobre a IA.

  2. Maria Elisabete Yang disse:

    Ótima materis

  3. CLAUDE FRANCK LOEWENTHAL disse:

    Parabéns a todos pela visão pragmática na aplicação da IA.

  4. José Francisco Chemin disse:

    Parabéns Ingrid pelos comentários.

Deixe aqui seu e-mail para receber as novidades