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Logística do Paraná no centro das atenções

Como o estado se prepara para ser o maior hub logístico do país

Em meio às discussões sobre o novo modelo de concessão das rodovias do Paraná, surge a avaliação sobre o futuro logístico do estado. Afinal, o que será dos modais que permitem o crescimento e desenvolvimento das atividades industriais e do agronegócio? Hoje, o estado é o maior produtor de proteína animal do país, além hortigranjeiros e uma infinidade de alimentos. Boa parte de toda a produção agrícola da Região Sul e de estados produtores do Centro-Oeste passa pela malha rodoviária em direção ao Porto de Paranaguá. Por isso, o futuro logístico do estado depende de muitos investimentos em todos os modais de transporte. Para o engenheiro agrônomo e assessor da Federação do Agricultor do Estado do Paraná (FAEP), Nilson Hanke Camargo, pagamos um pedágio altíssimo e não temos as obras que tanto precisamos. “Mas, a produção segue em alta e deve crescer cada vez mais. E, embora o Paraná seja essencialmente rodoviário, precisamos olhar, também, para as ferrovias”, avalia Camargo.

Em todos os setores, o papel da engenharia é primordial. O engenheiro mecânico e coordenador dos cursos de Engenharia Civil, Engenharia de Produção, Engenharia Mecânica e Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário UniOpet, Cezar Schadeck afirma que os engenheiros estão preparados para coordenar projetos de logística, suprimentos, desenvolvimento urbano e econômico. “A engenharia está diretamente ligada à coordenação e gestão de obras corroborando com o crescimento da economia e desenvolvimento humano do estado”, conta Cesar.

Exatamente por isso, o Crea-PR acompanha, há dois anos o processo de construção do novo modelo de concessão das rodovias. “Nos organizamos e apresentamos um posicionamento com soluções e contribuições para a composição deste novo pedágio. Destaco que o Crea é certamente um dos melhores atores para contribuir com este tema de forma qualificada, pois nossos profissionais trabalham diretamente com o assunto. Além disso, temos um conjunto de Entidades de Classe que atuam nas mais diversas regiões, que conhecem os vários modais, em especial o rodoviário”, afirma o presidente do Crea-PR, engenheiro civil Ricardo Rocha.

Para o governo do Paraná, o novo leilão das rodovias tem as seguintes exigências: transparência, novas obras e menor preço. “O Crea esteve conosco na defesa do modelo que o Paraná criou com as entidades, que é o de menor preço com garantia. Queremos, sim, a redução das tarifas, mas queremos empresas sérias e obras já no início do contrato”, afirma o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex. Essa é, também, a opinião de João Arthur Mohr, gerente de assuntos estratégicos da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP). Ele explica que o principal critério para atrair novos investimentos é a logística. “Além de atrair novos interessados em investir no nosso estado, as boas condições das rodovias diminuem os custos logísticos e permitem ampliação de empresas já instaladas, pois se tornarão mais competitivas”, conta Mohr.

Paraná em Obras

Especialistas são unânimes em dizer que todos os modais precisam de atenção e que o Paraná possui oportunidades de crescimento e melhorias por meio de ajustes e novos investimentos. “Há muito tempo discutimos a questão logística e de infraestrutura e consideramos que ela deve ser planejada considerando os vários modais. Neste momento, os pedágios estão na pauta, mas devemos olhar também para ferrovias e hidrovias. Acredito que a estrutura logística deva ser vista integralmente e planejada com o objetivo de tornar nosso estado cada vez mais competitivo”, avalia o presidente do Crea-PR.

O secretário de infraestrutura Sandro Alex conta que o Paraná está em obras. “Mais do que slogan, é a realidade do nosso estado. Temos investimentos na ordem de R$ 5 bilhões tocados pelo governo do Paraná, parcerias com o Governo Federal – Programa BID – o Programa Avança Paraná, Itaipu Binacional e o Porto de Paranaguá”, afirma o secretário que destaca obras importantes como:

  • Serviços de conservação em 12 mil quilômetros de rodovias de todo o Paraná;
  • Duplicação da Rodovia dos Minérios;
  • Segunda ponte Brasil – Paraguai, em parceria com o Governo federal e com a Itaipu e gestão do Estado do Paraná,com mais de 50% de execução;
  • Contorno de Guaíra, duplicação do Contorno Oeste de Cascavel, iluminação viária de 21 km da BR-277, revitalização da ponte Ayrton Senna;
  • Duplicação Rodovia do Café, obras em Campo Largo e Ponta Grossa;
  • Revitalização e pavimentação da Estrada Boiadeira (Porto Camargo a Serra dos Dourados);
  • Programa Voe Paraná – maior malha aérea regional do Brasil. “O projeto da terceira pista do aeroporto Afonso Pena contou com a participação do Governo do Paraná e do Crea, que trabalharam com eficiência e garantiram a obra”, afirma Sandro Alex.

Kássio Cabral Pereira dos Santos, engenheiro de produção, mestre em Engenharia Mecânica, doutorando em Engenharia de Produção, e professor dos cursos de Engenharia Mecânica e Produção da Universidade Positivo afirma que a engenharia irá contribuir significativamente para o crescimento e impulsionamento do estado. “Esses profissionais vão permitir o aumento da capacidade de produção e produtividade, infraestrutura, transportes e armazenamento. Dessa forma, podemos avaliar a engenharia sendo um ponto cada vez mais forte para o desenvolvimento do Estado”, afirma Kássio.

Desafios logísticos

Além da questão rodoviária, que deve ser resolvida com o novo edital de licitação – há desafios importantes para vencer. “Precisamos, urgentemente, resolver o gargalo ferroviário entre Guarapuava e Ponta Grossa, a descida da Serra da Esperança. Outro ponto de atenção é a nova Ferroeste e melhorias na malha sul”, destaca Nilson Camargo.

O Porto de Paranaguá, eleito o melhor do Brasil em operação, está sufocado e tem uma estimativa de aumentar o movimento para 80 milhões de toneladas até 2030 – hoje são 55 milhões de toneladas por ano. Para isso, o sistema ferroviário precisa avançar muito, além do desafio de fazer esse número de caminhões chegarem no Porto. “Certamente as pendências para chegar ao Porto precisam ser sanadas”, completa Camargo, que destaca os projetos em andamento, como o “Moegão”, que deve unificar a recepção de cargas ferroviárias.

“Acredito que o Paraná precisa avançar em todos os modais. Nosso estado é um grande hub logístico do país. E quando temos eficiência logística, há um ganho em toda a economia”, avalia o secretário Sandro Alex. Ele destaca, também, o projeto executivo para restauração da Avenida Ayrton Senna, entre o entroncamento com a BR-277 e o Porto, as obras de recuperação e proteção da estrutura do Píer Público de Inflamáveis e o programa de dragagem de manutenção continuada.

Engenharia e o Futuro

“Diante dos projetos rodoviários que virão com as novas concessões, e os investimentos feitos neste modal, o Ministério da Infraestrutura afirma que o Paraná será um modelo, junto com São Paulo, para a logística no Brasil”, conta João Mohr. Ele destaca, ainda, a nova malha aeroviária paranaense, onde as obras permitirão voos para Europa e Estados Unidos direto do aeroporto Afonso Pena. Os voos regionais também serão contemplados, além de voos comerciais regulares que devem facilitar a ida e vinda de pessoas, executivos, vendedores e compradores. “Isso gera desenvolvimento, renda, melhoria da qualidade de vida e muito emprego, que é o principal ponto” destaca Mohr.

Os profissionais de engenharia terão que estar cada vez mais conectados, aptos a criar estratégias e desenvolver projetos para otimizarem os processos e reduzirem os custos. “O conhecimento desse profissional terá uma participação expressiva nessas mudanças”, conta Kássio dos Santos. Para ele o futuro estará relacionado a Logística 4.0, que se baseia na aplicação de novos recursos tecnológicos para otimizar processos. Um dos pilares será a IoT (Internet das Coisas), que tem como função conectar equipamentos utilizados no dia a dia à internet. Outro pilar será o de tecnologia Busines Intelligence (BI), que permite analisar de forma automática milhares de informações em tempo real. “Um dos grandes desafios dos engenheiros será analisar todos esses dados e tomar decisões que contribuam para o desenvolvimento social, econômico e ambiental do Estado”, completa.

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