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Nove décadas de história

Publicado em 23 de julho de 2024

Crea-PR celebra sua trajetória, que se funde aos acontecimentos que marcaram os últimos 90 anos do Paraná

Uma história que pode ser contada com os fatos que marcaram a trajetória do estado nos últimos 90 anos e vice-versa. O aniversário do Crea-PR é marco de uma jornada em busca de valorização dos profissionais engenheiros, agrônomos e geocientistas e de ações para garantir a segurança de toda a sociedade.

Criado em 11 de junho de 1934, o foco de atuação era e permanece sendo a garantia do acompanhamento de um profissional habilitado e responsável em qualquer obra ou serviço que envolva as áreas das Engenharias, Agronomia e Geociências, e também o desempenho ético das atividades profissionais. 

Mas ao longo dos anos o Conselho expandiu sua atuação além de suas unidades e conquistou espaço no debate de muitas questões em que a expertise dos profissionais é bem-vinda e fundamental. E, neste cenário, esta publicação especial convida, nas próximas páginas, a reviver matérias que abordaram questões importantes como os desastres naturais, o desenvolvimento do Litoral e outras com uma atualização de como era e como está a situação atualmente.

Já nesta matéria principal a intenção é olhar para o futuro e para muito além dos muros e das fronteiras geográficas. Quais são as grandes questões que estão em voga e como o Conselho pode participar destes debates e assumir ainda mais um papel de protagonismo? Acompanhe, a seguir, algumas das áreas em que os profissionais ligados ao Conselho poderão contribuir de forma significativa.

Mudanças Climáticas

A tragédia da enchente no Rio Grande de Sul é recente e ainda está longe de ser resolvida. Dados do MapBiomas, divulgados na Agência Brasil no início de junho, dão ideia da dimensão da calamidade: os temporais nos meses de abril e maio atingiram 298 dos 497 municípios gaúchos, em maior ou menor grau. Isso representa 60% das cidades do estado. As enxurradas, inundações e alagamentos atingiram 15.778 quilômetros quadrados (km²), o que significa 5,6% do território gaúcho (281.748 km²).

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) as consequências das mudanças climáticas já são sentidas em todo o globo: secas intensas, escassez de água, incêndios severos, aumento do nível do mar, inundações, derretimento do gelo polar, tempestades catastróficas e declínio da biodiversidade, entre outras.

Mas como o Crea-PR e seus profissionais podem atuar nesta questão em seu estado? “O Crea-PR está promovendo diversas ações para impulsionar a engenharia sustentável no Paraná, como parceria com entidades para a realização de eventos de aprendizado e orientação sobre práticas de construção sustentável e eficiência energética. Além disso, o Conselho está colaborando com o setor público na elaboração de propostas de projetos de lei e de políticas públicas, e na implementação de tecnologias que visam à adaptação às mudanças climáticas, além de incentivo à certificação ambiental e o apoio à pesquisa e desenvolvimento de tecnologias sustentáveis”, diz o presidente do Conselho, engenheiro agrônomo Clodomir Ascari.

Segundo ele, o Crea-PR também contribui e seguirá contribuindo de forma cada vez mais efetiva na “fiscalização rigorosa das normas ambientais e de Engenharia, além de promover a educação continuada dos profissionais sobre a importância da sustentabilidade”.

E o espaço buscado é claro: “é nossa intenção que o Crea-PR se posicione cada vez mais como uma liderança na promoção da sustentabilidade, fortalecendo suas iniciativas e ampliando suas ações de conscientização, fiscalização e incentivo à adoção de práticas sustentáveis em todos os setores das Engenharias, Agronomia e Geociências no estado”, completa Ascari.

Crescimento Populacional 

e Urbanização

O Relatório Mundial das Cidades, documento bianual lançado pelo Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) apresenta uma visão abrangente sobre a realidade das cidades, as tendências da política urbana e as perspectivas do desenvolvimento urbano sustentável.

O documento mostra que a população urbana continua crescendo, e a previsão é de que cidades em todo mundo tenham 2,2 bilhões de habitantes a mais até 2050. No ritmo atual, a estimativa é que a população urbana passe de 56% do total global em 2021 para 68% em 2050.

E esta é mais uma causa em que o Conselho se envolve. “O Crea-PR está contribuindo para o desenvolvimento de cidades inteligentes e sustentáveis por meio do incentivo à adoção de tecnologias inovadoras, como IoT (Internet das Coisas), Big Data e sistemas de gestão urbana. O Conselho apoia entidades de classe e instituições de ensino, além de promover a atualização dos profissionais em novas metodologias que visam a sustentabilidade das cidades”, informa Ascari.

O presidente cita que as ações do Conselho se concentram principalmente por meio do Programa Agenda Parlamentar, com estudos da situação das cidades e sugestões de projetos de lei e políticas públicas.

Um aspecto importante a se incluir no rol da urbanização é o debate sobre o desenho universal, garantindo a todos o direito de ir e vir. E esta é uma área em que o Crea-PR atua há muitos anos, com realização de seminários e debates sobre o tema. Os profissionais que recolhem a Anotaçãot de Responsabilidade Técnica (ART) também precisam assinam um termo de que são cientes das Normas Técnicas sobre o assunto. 

Segurança Alimentar

O quadro não é promissor. Segundo o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo (SOFI)”, publicado em julho de 2023 pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), mostra uma piora dos indicadores de fome e insegurança alimentar no Brasil. 

Divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), os dados apontam que 70,3 milhões de pessoas estavam em 2022 em insegurança alimentar moderada no Brasil, que é quando possuem dificuldade para se alimentar. O levantamento também aponta que 21,1 milhões de pessoas no país estavam naquele ano em insegurança alimentar grave, caracterizada por estado de fome.

Nessa questão, o Crea-PR pode contribuir fomentando ações de produção sustentável de alimentos e incentivo à adoção de tecnologias agrícolas e de políticas públicas. Novamente um dos braços de ação é a Agenda Parlamentar, por meio da qual os profissionais sugerem Projetos de Lei com apontamentos técnicos. 

O presidente engenheiro agrônomo Clodomir Ascari aponta mais ações. “O Crea-PR auxilia os profissionais da área agropecuária por meio da fiscalização, garantindo que a prescrição seja feita por profissionais devidamente habilitados, o que gera segurança. O Conselho também fomenta a adoção de tecnologias por meio de debates e comitês de estudos, além de atuar na disseminação de boas práticas e casos de sucesso para incentivar outros profissionais a adotarem essas tecnologias”.

Energia Renovável

Esta é uma questão em que o Paraná tem se destacado no Brasil. De acordo com o Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-PR), o estado é o segundo do país a gerar mais energia renovável em áreas rurais. Hoje, a energia renovável responde por 18% da geração no Paraná. O primeiro lugar é do Estado de Minas Gerais, que tem um percentual de 21,1%.

Um dos responsáveis pelo incremento é o Programa RenovaPR, que subsidia e apoia famílias de produtores rurais para a implantação de um sistema próprio para geração de energia – solar, biomassa ou produção de biogás e biometano.

E o Crea-PR apoia o Programa, que abre muitas oportunidades de trabalho aos engenheiros, agrônomos e geocientistas, como, por exemplo, cálculo de dimensionamento da energia e implantação da estrutura, e a instalação das unidades de energia solar fotovoltaica ou de biodigestor. São trabalhos que exigem a contratação de empresas e profissionais habilitados. Além disso, a emissão da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) faz parte do procedimento legal. 

“O papel do Crea-PR no fomento ao desenvolvimento de projetos de energia renovável inclui o registro de profissionais e empresas, a promoção de eventos e cursos sobre energias alternativas, e a atuação junto ao governo para criar políticas públicas favoráveis a esses projetos. O Conselho também apoia iniciativas de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias no setor”, destaca Ascari.

Tecnologias Digitais

Cidades Inteligentes, Indústria 4.0, uso e regulamentação de Inteligência Artificial (IA) e tantos outros conceitos que se desenvolvem a partir das tecnologias digitais. Na área das Engenharias, Agronomias e Geociências não é diferente, a tecnologia também avança com rapidez. Por isso, o Crea-PR se envolve nesta questão e auxilia com oferta de cursos de capacitação, promoção de eventos e palestras sobre as últimas tendências do setor, e parcerias. O Conselho também incentiva o uso de ferramentas como BIM (Building Information Modeling), IA, robótica e Internet das coisas (IoT) entre os profissionais.

Também fomenta, via Agenda Parlamentar, a criação de mais Cidades Inteligentes no Paraná. Além disso, se preocupa com a questão ética. “O Conselho promove a ética e o uso responsável das tecnologias digitais através de códigos de conduta, orientações e palestras. Além disso, o Crea-PR realiza campanhas de conscientização sobre a importância da ética”, esclarece Ascari.

Segundo o presidente do Crea-PR, o Conselho “se prepara para o futuro da Engenharia investindo em programas de educação continuada e parcerias com instituições de ensino. O Conselho também está desenvolvendo políticas e diretrizes para garantir que os profissionais estejam sempre atualizados e preparados para os desafios e oportunidades da era digital”.

Testemunhas oculares

Confira uma linha do tempo do Conselho a partir da visão dos ex-presidentes:

Arquiteto Armando Strambi – 1973 – 1978

“Na minha gestão, implantamos a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART); realizamos a interiorização com as inspetorias e a aquisição de terrenos para suas instalações. Também iniciamos importantes eventos que ficaram anualmente calendarizados, como o Encontro de Inspetores (hoje Fórum). Além disso, criamos o Boletim Informativo; promovemos a intensificação da ação fiscalizatória e alocação de recursos às entidades de classe. Cabe, ainda, destacar a instalação das Câmaras Especializadas de Engenharia Elétrica e de Arquitetura, e a aquisição de sede própria. Parabenizo o Crea-PR e desejo sucesso para o futuro.”


Engenheiro Civil Rubens Curi – 1979 – 1984

“Na minha gestão, o Crea-PR completou seus 50 anos e focamos em enaltecer o Conselho. Além da fiscalização que já ocorria, ampliamos para que abrangesse também os agrônomos, e intensificamos o contato com os profissionais, fortalecendo as entidades de classe. Criamos as placas de fiscalização para fixação nas obras e demais espaços fiscalizados; construímos as sedes nas Inspetorias de Cascavel, Londrina, Maringá, Pato Branco e Ponta Grossa, e concluímos a compra da sede em Curitiba e a construção do plenário, ao lado do prédio principal. Implantamos a rede de informática e contratamos um jornalista para iniciar a divulgação das ações do Conselho. Agora, ao completar seus 90 anos, acompanho a evolução do Conselho e desejo sucesso nas ações vindouras.”


Engenheiro Civil Orlando Maciel Strobel – 1991 – 1996

“Participei do Crea-PR por 12 anos, como conselheiro, vice-presidente e presidente. Foi um período de forte adaptação tecnológica – de uma organização analógica para informatizada – o que resultou em uma grande melhoria e eficácia no atendimento aos profissionais e na fiscalização. Também criamos o Fórum de Docentes e Discentes e realizamos o 1º Congresso Estadual de Profissionais. Foram admitidos gerentes para todas as regiões, sendo estes profissionais das áreas tecnológicas. Com o auxílio das entidades de classe, o Crea-PR se fortaleceu e manteve sua primazia no contexto brasileiro, assumindo um papel de destaque que se mantém. Desejo, para o futuro do Conselho, que siga sendo exemplo e que obtenha cada vez mais conquistas.”


Engenheiro Civil Ivo Gilberto Martins – 1997 – 1999

“Para além dos muros do Conselho, foi naquela época que aconteceu a finalização do processo de responsabilização com a cassação do registro profissional do responsável pela obra do prédio que desabou em Guaratuba, Litoral do Paraná. Também atuamos na interdição de parte do Estádio do Pinheirão, porque havia riscos de desabamento. 

A Revista Crea-PR tornou-se importante instrumento de divulgação dos debates. Um exemplo, o primeiro Encontro Nacional sobre Transgênicos, sempre com a opinião das duas partes: favorável e contrária. Ainda, debates sobre a privatização das telecomunicações e diretrizes da educação, e o uso de defensivos agrícolas, assunto polêmico na época. A primeira edição da Revista Crea-PR foi na minha gestão e tratou sobre a água.

Para o futuro, entendo que é preciso avançar na valorização profissional, mostrando para a sociedade a importância dos nossos profissionais. Também acredito que devemos ser mais ativos na fiscalização do exercício profissional, em questões que gerem problemas de segurança. Nos seus 90 anos, desejo que o Crea-PR continue sendo referência no Brasil e que siga com essa força e dedicação.”


Engenheiro Agrônomo Luiz Antonio Rossafa – 2000 – 2005

“Falar do Crea-PR é sempre motivo de orgulho e de boas lembranças de uma entidade séria e inquieta na busca constante do equilíbrio social, da igualdade econômica e do respeito, acima de tudo, à vida. No meu segundo mandato comemoramos os 70 anos do Conselho e é sempre muito bom ver novas comemorações e a continuidade das ações. Na época, lembro de já termos uma importante discussão sobre sustentabilidade, tema que ainda era pouco falado. E tivemos um momento marcante com uma palestra de Fritjof Capra, uma referência no assunto. 

Também tivemos debates sobre questões como a privatização das ferrovias e da Copel e o vazamento de óleo bruto da Repar, em Araucária, que culminou com contaminação do Rio Iguaçu.

Quero desejar ao Crea-PR vida longa! Acredito que o Conselho pode e deve estar mais próximo das empresas, não só para valorizar os profissionais do seu quadro técnico, mas também para homenagear os seus responsáveis e acima de tudo para dar visibilidade ao trabalho técnico realizado. Desejo que se dê continuidade a tudo que foi construído e que demonstra a base sólida do Conselho em defesa da boa Engenharia, da boa Agronomia e em benefício de toda a sociedade.”


Engenheiro Agrônomo Álvaro José Cabrini Junior – 2006 – 2011

“Como fatos importantes da minha gestão destaco a implantação da ISO 9001/2008 e o trabalho da Agenda Parlamentar, aproximando o Conselho dos gestores públicos com soluções e sugestões técnicas das áreas das Engenharias, Agronomia e Geociências. Foi importante a mobilização política que se deu com esse Programa, que se tornou um marco no processo de valorização das profissões. Merece destaque também o início do Programa de Acessibilidade e a criação do Comitê Empresarial da Construção Civil. 

Minha visão para o Crea-PR do futuro é que esteja sensível para os problemas da sociedade. Não pode a instituição ficar alheia ao que acontece ao redor e não valorizar as profissões que estejam diretamente ligadas às questões, o Crea-PR deve ser proativo no tocante às soluções. O Conselho tem necessariamente a missão de antecipar o futuro. Parabenizo o Crea-PR pelos 90 anos e também a todos aqueles que contribuíram para essa história de sucesso quase centenária!”.


Engenheiro Civil Joel Krüger – 2012-2017

“Acredito que o principal marco da minha gestão foi a implantação de uma fiscalização intensiva, sendo que em 2014 atingimos um número recorde de 80 mil fiscalizações, algo histórico. Implantamos o Colégio de Entidades Regionais – CDER, que deu mais autonomia e sustentabilidade às entidades de classe e possibilitou amplo debate sobre as políticas públicas nos municípios.

Ampliamos e interiorizamos as campanhas de comunicação e tivemos a oportunidade de sediar a 73ª Semana Oficial da Engenharia e Agronomia e o 9º Congresso Nacional de Profissionais, oportunidades para debate de temas técnicos. Realizamos, ainda, um concurso público, ampliando o número de fiscais e o quadro administrativo. 

O Crea-PR desempenha um papel fundamental e acredito que deva atuar com mais intensidade nas políticas públicas. O Conselho precisa estar atento às transformações e se modernizar, inovar, estar em todos os lugares onde o profissional está e não apenas em grandes centros urbanos.

Tive a honra de ser presidente do Crea-PR quando nosso Conselho comemorou 80 anos de atividades. Quero agradecer e parabenizar todos os profissionais que ajudaram a construir essa belíssima história em prol das Engenharias, da Agronomia e das Geociências e da sociedade.”


Engenheiro Civil Ricardo Rocha – 2018 – 2023

“Teve um período desafiador na minha gestão com a pandemia e toda a transformação que ela trouxe. Tivemos de acelerar a transformação digital e repensar modelos de trabalho e reuniões, e conseguimos adaptar o Conselho à nova realidade. Como debate importante em que o Conselho se envolveu, destaco o novo pedágio (concessão das rodovias), as obras de engorda do Litoral do Paraná, a construção da ponte de Guaratuba e a Ferroeste.

Outro marco foi a criação da Frente Parlamentar das Engenharias, Agronomia e Geociências e da Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável, que ampliou a Agenda Parlamentar. Meu desejo é que o Crea-PR se mantenha atuante na defesa das nossas profissões e que acompanhe o contexto da transformação digital de um mundo que cada vez mais caminha para o desenvolvimento sustentável, que busca o respeito ao meio ambiente em tempos de mudanças climáticas e eventos extremos. Situações que são novos desafios para a Engenharia.

90 anos é uma marca de maturidade e fruto de um trabalho coletivo. Não tenho dúvida que chegaremos a 100, 200 anos com um Conselho atento às nossas profissões e atuante na preservação da ética e das diretrizes para o correto exercício delas.”

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