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O impacto da digitalização na engenharia civil

A tecnologia pode ser uma forte aliada da área com a construção digital e a impressora 3D

A digitalização dos processos tem se mostrado um grande desafio para a área da Engenharia Civil, pois ainda se investe pouco nessa tecnologia. O estudo 2018 Contech Report, da consultoria norte-americana em soluções tecnológicas para o setor de construção JBKnowledge, identificou que nos EUA apenas 14,6% das empresas de construção civil utilizam pelo menos um software especializado; 21,4% delas fazem o uso de apenas duas soluções digitais; e 19,7% ainda contam com serviços terceirizados de TI.

“Precisamos nos adaptar à nova realidade imposta pela Covid-19. Hoje quem não interage digitalmente perde espaço. Não é questão de luxo, mas de sobrevivência”, declarou o presidente da CBIC, José Carlos Martins, ao participar de uma LIVE do evento Jornada da Incorporação Imobiliária Digital.

CONSTRUÇÃO DIGITAL

Para Fabiana von der Osten, engenheira civil e professora do curso de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o que existe de mais concreto na construção digital no Brasil é o BIM (Building Information Modeling). “Essa plataforma permite a integração entre os projetos. Multinacionais, por exemplo, conseguem desenvolver projetos em escritórios em Curitiba e na França, com uma integração maior entre as equipes. No projeto de uma casa, reunimos equipes de arquitetura, hidráulica, elétrica. Com o BIM, qualquer mudança feita no projeto acontece em tempo real, agilizando o processo de correções e de trabalho em equipe”, esclarece a professora.

O governo brasileiro vem exigindo apresentações na plataforma BIM para licitações em qualquer área, e isso tem sido essencial para acelerar o processo de digitalização na construção civil nacional.

Fabiana acredita que o BIM está se desenvolvendo bem e vai passar para outras áreas da Engenharia Civil, como a gestão e execução do projeto, até acompanhamento de obras, depois da estrutura pronta para ver o comportamento da estrutura com drones, sensores e toda uma instrumentação digital.

IMPRESSORAS 3D

Por outro lado, a construção com impressora 3D ainda está engatinhando no Brasil. “Sabemos que é possível construir pontes, casas e prédios com impressora 3D, mas isso ainda está em formato de pesquisa, porque não sabemos como essas construções vão se comportar no longo prazo. Sabemos como funciona na teoria, no laboratório com ensaios, mas na prática mesmo, com chuva, sol, vento, e até mesmo intervenções do usuário, ainda é um mistério”, afirma a professora.

Recentemente foi construída uma ponte na Holanda com impressora 3D, e uma universidade em Londres vai acompanhar a estrutura por um tempo para ver os possíveis danos. “Outro desafio é que não existem regulamentações e normas a respeito da construção 3D”, acrescenta Fabiana.

A Engenharia Civil deve ganhar ainda mais terreno com a digitalização da construção e com a evolução das construções 3D. “Nesse cenário, trabalho em equipe e a troca de informações com profissionais de outras regiões de forma digital, será de grande valia para o crescimento da profissão no Brasil”, garante.

“O governo brasileiro vem exigindo apresentações na plataforma BIM para licitações em qualquer área, e isso tem sido essencial para acelerar o processo de digitalização na construção civil nacional.”

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