RenovaPR muda realidade no campo
Em 30 meses, RenovaPR traz impacto na mudança de mentalidade no campo e abertura de mercado para profissionais das áreas tecnológicas

“O RenovaPR com seus resultados expressivos é a política pública paranaense com maior velocidade de adoção de uma prática sustentável, por produtores rurais, em tão curto tempo.” A afirmação é do Engenheiro Agrônomo Herlon Goelzer de Almeida, coordenador do Programa e da área de Energias Renováveis do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná).
E os números ratificam a afirmação. Segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), já são 30.111 ligações rurais de geração própria de energia no Paraná, das quais 24 mil foram implantadas no período do Programa. Significa 80% das ligações paranaenses promovidas e estimuladas pelas estratégias extensionistas de divulgações e convencimento de produtores. O Paraná já possui 670 MW de potência instalada no meio rural, o que equivale ao consumo de 646 mil residências ou o consumo de uma população de 2,5 milhões de pessoas, conforme consumo médio utilizado pela Empresa de Planejamento Energético (EPE), do Ministério de Minas e Energia.
O coordenador destaca as oportunidades de trabalho para diversas áreas da Engenharia geradas pelo Programa. “Na área de energia solar há predominância absoluta de Engenheiros Eletricistas por conta da atribuição, mas em biogás temos um conjunto de profissionais – Engenheiros Agrônomos, Engenheiros Ambientais, Engenheiros Mecânicos, Engenheiros Civis e Engenheiros de Energias Renováveis. Também Engenheiros Químicos estão envolvidos dada a complexidade do biogás e do biometano. É visível o número de empresas e vagas que foram criadas com o crescimento do biogás e energia solar no Paraná e, com isso, gerando oportunidade de trabalho”, salienta.
Mais dados
Do total de unidades geradoras instaladas no período do Programa, 7.559 projetos no montante de R$ 1,32 bilhão foram acatados no IDR Paraná para encaminhar o apoio do Governo do Paraná. Os projetos contam com subvenção total ou parcial das taxas de juros com recursos do Banco do Agricultor Paranaense, para qual o Estado já disponibilizou R$ 234 milhões para suportar operações de crédito rural. Esses números colocam o Paraná com 14,8% em projetos rurais instalados em Geração Distribuída (GD) no meio rural no país e em segundo lugar em potência instalada, com 670 MW, correspondendo a 17,4% do total da energia rural em GD no Brasil.
“Com esses números o IDR Paraná estima que a quase totalidade dos 23 mil produtores de frango e boa parte das agroindústrias já tenham adotado a geração própria de energia, atividades das mais eletrointensivas no agro paranaense”, afirma Almeida.

Futuro
Para 2024 a prioridade será estimular ainda mais os agricultores familiares a adotarem geração própria para suas propriedades com vista à redução de custos de produção e o próprio custo de vida, facilitados agora pela redução de preços de painéis no mercado interno, seguindo a tendência internacional. “Também será esforço do RenovaPR que os suinocultores e produtores de leite passem a tratar os dejetos animais com a implantação de biodigestores e a geração de biogás e biometano. A biodigestão é uma prática que adequa as propriedades às exigências ambientais e que passa a dar resultado e retorno econômico às propriedades”, explica o coordenador do Programa.
Região Oeste
A Região Oeste do Paraná se destaca no Programa. “A suinocultura e a avicultura respondem na região de Toledo por mais de 50% do Valor Bruto da Produção (VBP, cerca de R$ 39 bilhões. Destes, a avicultura representa 30% e a suinocultura 20%. São cadeias expressivas na região”, explica o Engenheiro Agrônomo Ivan Decker Raupp, gerente regional do IDR em Toledo.
Neste contexto, o RenovaPR tem papel fundamental. A Região Oeste responde por 50 a 52% do total de projetos e investimentos do Programa. “Justamente pela característica das cadeias produtivas da região. A avicultura demanda muita energia elétrica, o que representa em torno de 15% dos custos de produção, sendo público-alvo para os sistemas fotovoltaicos, com bons benefícios econômicos. Já a suinocultura gera muito resíduo sólido e se beneficia da geração de energia para uso na propriedade e com a possibilidade de comercialização de subprodutos, como o biometano para uso como combustível e biofertilizante”, constata o gerente regional do IDR-Paraná.
Mas, segundo ele, o benefício maior é para o meio ambiente. “No tratamento e redução de resíduos sólidos, a diminuição da emissão de gases poluentes e a redução do metano liberado na atmosfera – gás que influencia no efeito estufa. Também a redução do odor na propriedade e redução da proliferação de insetos. E a energia solar é renovável e não polui”, explica. Ambas as soluções podem contar com subsídios do RenovaPR.
“O RenovaPR com seus resultados expressivos é a política pública paranaense com maior velocidade de adoção de uma prática sustentável, por produtores rurais, em tão curto tempo”- Eng. Agr. Herlon Goelzer de Almeida.

A experiência da Primato
Cooperativa foca em ações de sustentabilidade depois de incentivo do RenovaPR

A Primato é uma cooperativa que fica em Toledo, no Paraná. Conta com 10.510 cooperados, 79% pequenos produtores. “A base da nossa cooperativa é a agricultura familiar. Toda a produção de suínos e de leite é destinada para a Frimesa. Também temos avicultura e piscicultura no modelo integração e pecuária de corte. Além disso, fábricas de ração para animais, de minerais e de homeopatia”, conta o presidente da Primato e produtor rural, Anderson Léo Sabadin.
Segundo ele, a cooperativa funcionava bem do ponto de vista social e econômico, mas faltavam ações ligadas à sustentabilidade. “E este foi o principal foco de ação em 2023”, conta Sabadin.
“A questão ambiental era uma preocupação. Tínhamos de tratar este tema com nossos cooperados. E foi assim que surgiu a geração de energia por meio do resíduo orgânico, que inicia em uma granja de um produtor nosso de três hectares”, explica. A família fez os investimentos por meio do apoio do RenovaPR.
Sabadin conta que este foi o projeto piloto que levou à parceria com a MWM Tupi para adaptação de um caminhão da frota da Primato, movido a biometano. O abastecimento é feito na propriedade da Família Angst, que vende o combustível à cooperativa. O veículo é utilizado normalmente na operação da Primato. “Com isso, o produtor passou a fazer a destinação correta do resíduo e ganhou mais uma fonte de renda, além do compromisso com o meio ambiente. Este projeto foi um divisor de tempos”, constata o presidente.
A partir daí várias ações começaram na cooperativa que ainda no início deste ano pretende inaugurar uma usina de biometano dentro de uma granja própria da Primato. Além disso, será montada uma indústria para produção de biológicos, biofertilizantes e inoculante. “Também queremos trabalhar com o resíduo sólido fazendo a padronização com a devida correção de Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (k) – NPK, industrializando e vendendo para o nosso produtor e em nossos supermercados como um adubo para jardinagem”, conta.
Para Sabadin, estas ações vão fechar o ciclo da economia circular na operação da cooperativa. Ele ainda complementa outras ações que beneficiam o meio ambiente como o trabalho para ciclos menores de engorda. “O gado que ficava dois ou três anos no pasto, hoje é finalizado em 18 meses, gerando menos gases. O mesmo acontece com os suínos.”

“A questão ambiental era uma preocupação. Tínhamos de tratar este tema com nossos cooperados. E foi assim que surgiu a geração de energia por meio do resíduo orgânico, que inicia em uma granja de um produtor nosso de três hectares”- Anderson Léo Sabadin.
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